Quando comecei a escrever essa post, umas horas atrás, pensei em mil possibilidades de desenvolver esse título que não me sai da cabeça. O motivo disso? O fim de temporada do meu seriado favorito Grey's Anatomy, que me chocou muito e me deixou com os nervos a flor da pele até o instante que acabou e anunciaram que teria um episodio extra.

Nos meus sonhos mais profundos, nos meus desejos mais loucos, eu sabia que estar aqui era uma loucura. Havia anos que não passava por aquela porta de vidro e não sentia aquele cheiro de remédio e roupa seca. Ali parada na recepção podia me sentir aconchegada como se estivesse entrando em casa depois de um longo dia de trabalho.
Lembro com perfeição da uma vez que estive ali. O corredor da sala de emergência estava lotado de médicos, enfermeiros e pacientes que chegavam a todo instante de um acidente na rodovia. Mas não me recordava de ter trabalho naquele dia, ao contrario disso, naquele dia eu era uma paciente de um acidente.
Ouvia os médicos gritando pedindo Adrenalina, morfina e eletrodos. Estava desesperada, não sabia ao certo o que acontecia, nem se sairia bem daquela. Depois de ter visto o médico me olhando nos olhos como se estivesse ressentido, ele pegou as pás de desfibrilação e aquele chiado foi a única coisa que ouvia.
Doze horas depois, estava em um quarto branco, não mais entre as paredes verdes do corredor e uma forte luz me cegava. Tentava me mexer, mas não sentia meu corpo. Ouvia vozes ao meu lado, mas não via ninguém ali, minha garganta ardia e eu não sabia como pedir água.
Com pancadas bruscas vi alguém parando na porta com uma prancha nas mãos me encarando. Era minha melhor amiga com aquele olhar frio e de boca franzida entrando no quarto. Ela não precisou dizer nada, pois ao tocar na minha mão fria eu soube o que estava acontecendo e o que ela queria me dizer.
Eu tinha perdido minha família naquele acidente.
É difícil de aceitar, recomeçar do zero. Talvez fosse isso que eu não queria aceitar
Fechei meus olhos tentando esquecer aquele dia mais uma vez e não ter que sentir meu coração apertado. Nunca falei sobre o que minha melhor amiga estava me dizendo com aquele simples toque na minha mão. Eu sabia que estava tudo perdido, quem eu havia perdido.
Respirei fundo olhando o final daquele corredor verde passando pela recepção.
- Bom dia doutora Grey. - desejou a recepcionista.
Eu ainda tinha a mim e a minha amiga.


Bem, etão vai ser assim, quando tiver vontade de postar contos eu posto, quando de repente me bater a vontade de postar outras coisas bem loucas vou ver no que vi dar.















