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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Diario de uma viajante - Parte 16

Domingo, 21 de dezembro
HGCI

Acordei com olheiras terríveis no rosto. Se eu tivesse deixado as enfermeiras aplicarem o sedativo em mim, eu não estaria com elas. O café foi servido bem cedo e com ele veio minhas roupas lavadas. Graças a Deus que eles não vão me fazer pagar o maior mico de sair daqui como uniforme todo manchado de sorvete. Tratei de colocá-las assim que as vi. Uniforme em um domingo não fica legal.Enquanto eu comia a porta se abriu. Pensei que fossem meus pais, mas não era. Era uma enfermeira acompanhada pelo Bruno. Ele queria saber como eu estava.
“Não tive tempo de te pedir desculpas ontem” – disse ele justificando a vinda.
“Não era sua obrigação” – respondi – “Eu fui culpada”
“Nós dois somos culpados” – ele abriu as cortinas – “Eu estava no telefone, e se estivesse prestando a devia atenção, talvez você não estivesse aqui”
“Mas eu agradeço a você” – empurrei a bandeja do café e sai da cama encostando do lado dele na janela – “Meu primeiro braço quebrado” – disse levantando ele.
Ele riu.Ele ficou de costas para a janela encostado-se a ela com os braços cruzados e olhando para o teto.Eu estava na maior tensão. Olhei para fora e vi meus pais chegarem. Seria a última vez em que eu via o Bruno.
“Espero que você melhore” – desejou ele colocando a mão no meu ombro – “Talvez a gente se veja por ai”
Respirei fundo sentindo que já era. Então eu virei para vê-lo.
“Espero que não demore tanto – outra Briana aparecera, eu nuca diria uma coisa dessas. Me despediria o mais rápido possível – “Afinal você marcou minha vida” – conclui olhando para o gesso.
Sabe quando uma pessoa não sabe o que fazer? Ele ficou assim. Com razão! Parecia que eu estava dando em cima dele. Eu nunca tinha feito isso, então não posso afirmar que estava.Ele estendeu a mão direita! Esqueceu que eu não podia cumprimentá-lo assim. Tudo bem. Fiquei olhando para a mão dele, com aquela aliança para ver se ele se tocava. Quando se tocou era tarde de mais, meus pais entraram no quarto.
“Mãe!” - disse passando pelo Bruno para abraçá-la - “Pai!”Abracei-os bem forte, tentando esquecer que o Bruno estava ali, que era a última vez que eu o veria. Ele passou por nós e foi embora. Foi só.
“Podemos ir?” perguntou meu pai.Saímos daquele hospital. Eles me disseram que o Marcos e a Gabi estavam me esperando m casa com meus presentes.Quase não acreditei no que ganhei.Um São Bernardo lindo de morrer dos meus pais. Um cd novo do Metro Station dado pelo Marcos...
“Para compensar o que eu quebrei” confessou ele....
E uma t-shirt linderrima da Gabi.Nesse meio tempo eu até esqueci o Bruno.Para comemorar fomos até um restaurante chamado “Cópula de La Pendula”, italiano. Meu pai pediu a melhor mesa, e bolo de sobremesa. Seria um aniversario memorável. O lugar era agradável, a comida uma delicia, o atendimento sem comparação e o bolo... O que era aquele bolo?! O melhor da minha vida. E então meu pai pediu a conta.O garçom parou do meu lado e entregou a conta para o meu pai. Mas em vez de sair como todo bom e educado garçom faria, ele continuou ali plantado. Olhei para ver quem era e meu coração disparou.Era muita coincidência ou a minha sorte mudou completamente após o atropelamento. O próprio Bruno ali parado com uma caixinha na mão.
“Isso é pelo seu aniversario e pelo pedido de desculpas não aceito” disse ele me entregando a caixinha.
Meu pai fechou a cara na hora e quis saber que história era aquela de pedido de desculpas não aceito e começou o sermão do “não foi assim que eu te criei” até o Bruno interrompe-lo e explicar a história.Abri a caixinha e acho que meus olhos brilharam quando vi a pulseira que estava ali. Por fora um monte de pedrinha coloridas e por dentro, como ele mostrou depois, a data do acidente e o nome da rua.
“Assim será mais fácil de você se lembrar”
Eu havia achado o cara perfeito e não sabia. Acho até que nunca vou tirar aquela pulseira. Meus pais acharam que ele não precisa se importar tanto já que eu estava bem. Com o Marcos a história foi outra. E a Gabi... bom, ela achou ele um amooor de pessoa.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Diario de uma viajante - parte 15

Sábado, 23h45min
Segundo as enfermeiras, já era pára eu estar no meu 15°sono. Elas quiseram me aplicar um sedativo, eu não deixei. Estou até agora pensando em como eu estraguei o meu dia. Se eu aprendesse a olhar antes de atravessar, talvez eu estivesse em casa com presentes ao lado da minha cama. Mas eu nunca conheceria o Bruno. O também não adianta de nada se eu nunca mais vou vê-lo.Passei horas a fio tentando imaginara idade dele. Acabei sem conclusão alguma, atolada no mesmo lugar. Ele só disse que parecia novo para dirigir, o que indica que também não é tão velho ou que acabou de completar a idade para dirigir.Tanto faz.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Diario de uma viajante - parte 14

Sábado, 20 de dezembro
Hospital Geral Clínico do Interiorrrr

Pelo incrível que pareça, tive que passar a metade do meu dia de sábado na minha escola. Tudo pela integra do trabalho de Espanhol. A única coisa boa disso é que eu consegui tirar um nove nele. E para melhor a dona que gospe na aula de orientação não veio. Muita coisa boa para um dia só. Alguma coisa devia estar errada. Comprovei isso quando vi a nota da Gabi, 8 ½. Menos que a minha nota. Ela nem ligou.
Depois que finalmente saímos da escola senti uma incontrolável vontade de tomar sorvete na sorveteria da skina. Minha mãe me mataria se soubesse que eu tomei sorvete antes do almoço. Ela detesta que eu faça isso. Mas quem contaria para ela? A Gabi nunca contaria.
Hoje sendo meu aniversario, haveria um jantar em casa e a Gabi depois de ir para casa e se trocar iria lá. Tentei de tudo que é maneira possível descobrir o que ela ia me dar. Mas ela não disse nada.
Passamos na sorveteria da skina e comprei um Sunday enorme de pistache. A Gabi se contentou um picolé. Consultei meu relógio e eu estava atrasada de novo para o almoço.
Me despedi da Gabi e atravessei a rua. Bom, eu acho que atravessei a rua. Na hora que coloquei o pé na rua, senti uma dor latejante no braço que segurava o sorvete, um frio no fio e ouvi um barulho forte de carro freando. Daí não me lembro de mais nada. Ta, lembrar eu lembro, mas só de um rosto de um cara que gritava. E foi só.
Alguém já ouviu aquela música do Jessé McCartney, Best Day of my life? Não?

Jesse McCartney - Best Day Of My Life
Acordei mais ou menos ás dez e meia
Não acredito que estou atrasado de novo
Tomei uma garrafa de café
Para começar meu pulso e então
Eu recolhi meu jeans do chão
Então fechei a porta
É apenas o mesmo de sempre
Isso serve para mostrar que você nunca sabe
Quando tudo está para mudar
Apenas outro dia
Que começou como qualquer outro
Apenas outra garota
Que me tirou o fôlego
Então ela se virou
E me deixou babando
Apenas outro dia que eu
Tive o melhor dia da minha vida
Não consigo explicar exatamente o que foi aquilo
Ela não é do tipo comum
Ela usava um chapéu de cowboy
Com suas botas P
rada vermelhas
E um sorrido de Gwen Stefani no rosto
Então ela pegou uma caneta
E me surpreendeu quando
Ela escreveu seu telefone na minha mão
Entã ela se foi...
Mas de agora em diante
Eu serei outro homem
Isso serve para mostrar
Que você realmente nunca sabe
Quando tudo está para mudar

Meu dia poderia ter sido assim se eu pudesse lembrar do rosto do cara.
Mas ele foi mais ou menos assim:
Jesse McCartney - worse Day Of My Life
Versão Briana
Acordei mais ou menos ás sete e meia
Não acredito que estou atrasada de novo

Tomei uma garrafa de suco
Para começar meu inferno e então
Eu recolhi minha bolsa do sofá
Então passei pela porta
É apenas o mesmo de sempre
Is
so serve para mostrar que você nuncasabe
Quando tudo está para mudar
Apenas outro dia
Que começou como qualquer outro
Apenas outro atropelamento
Que quebrou meu braço
Então ele apareceu
E me deixou desacordada
Apenas outro dia que eu
Tive o pior dia da minha vida
Não consigo explicar exatamente o que foi aquilo
O carro não era do tipo comumE
le usava um jeans surrado
Com uma camisa regata branca
E um medo de Orlando Bloon no rosto
Então ela pegou o celular
E me surpreendeu quando
Ele ligou para o hospital
Então ele se foi...
Mas de agora em diante
Eu serei outra mulherI
sso serve para mostrar
Que você realmente nunca sabe
Quando tudo está para piorar

Pronto, acabei me ferrando legal.Acordei no hospital. Num quarto muito abafado e com aquelas camisolas horrível furadas atrás. Prefiro nem saber quem Fo que me trocou. Assim que abri meus olhos, demorei para perceber o que aconteceu, e fiquei ainda mais assustada quando vi uma cara sentado ao lado da minha cama me olhando. Ele levantou bem rápido quando me viu acordar.
“Quem é você?” – eu tentei ser o mais normal possível, mas eu gritei ao em vez de falar.
“Calma! Por favor, calma!” – foi isso que ele disse e ficou quieto como se eu fosse adivinhar o que aconteceu.Olhei bem na cara dele e percebi que ele estava tão assustado quanto eu. Apesar de eu não saber quem ele era, eu podia saber que a música só errou o nome. Tentei me levantar usando o meu braço direito, nem devia ter tentado. Uma dor terrível tomou conta dele e ai eu percebi que ele estava engessado.O cara correu para me ajudar a se sentar mesmo eu querendo me levantar!
“Melhor você não se esforçar” – pediu ele com aquela cara horrível de culpa – “Você ainda esta meio debilitada pelo o que aconteceu”
Eu estava dolorida, com um cara que eu nunca que eu nunca vi na vida me olhando e ainda por cima usava uma camisola ridícula. Minha paciência esgotou.
“Quem é você!” – dessa vez eu berrei – “O que eu to fazendo aqui?”
Ele ficou me olhando como se eu fosse uma débil mental. E eu ainda por cima me sentia assim.
“Você não sabe?”
“Se eu to perguntando” – juro que tentei ser o mais normal desta vez
“Eu atropelei você, quando você se despedia da sua amiga” – parecia que ele falava grego
“atropelada” – sussurrei – “Esse é o pior dia da minha vida!”
Olhei para os lados e vi que não havia banheiro ali. Ai eu me desesperei. Como um quarto de hospital não tem banheiro? Deviam ter me trazido para o pior hospital da cidade.
“Onde estão minhas roupas?” – perguntei olhando para os lados
“Uma enfermeira colocou-as debaixo da cama”
Nem me arrisquei comprovar isso. Só fiquei olhando para cara dele. Havia algo dele muito familiar, eu só não sabia o que era. Ele levantou bem devagar e encostou contra a janela.
“Você quer saber o meu nome, não é?”- fiz que sim com a cabeça – “Me chamo Bruno”
Reparei que ele mexia muito com a mão enquanto falava e por fim percebi que ele tinha uma aliança na mão direita. Talvez ele tivesse uma necessidade constante ficar mostrando aquilo para todo mundo.
“Você parece novo para dirigir” – conclui
“Só pareço”
A porta do quarto se abriu e minha mãe entrou gritando com o meu pai e com o meu irmão. Ela me abraçou e me pareceu que ele ano notou o gesso, porque ela apertou muito o meu braço.
“Você está bem?” – juro que eu ia responder, mas ela não deixou – “Quantas vezes já disse para você olhar antes de atravessar?”
“Deixe-a respirar um pouco” – pediu meu pai retirando-a de perto de mim
Meu irmão ficou examinando o Bruno dos pés a cabeça, fechou a cara e se aproximou dele.“O que você estava fazendo que não viu ela?” – sério, delicadeza não é com o Marcos
“deixe de ser mal educado Marcos” - -pediu meu pai – “Você sabe que pelo que fomos avisados, sua irmã atravessou sem olhar para rua”
Coloquei minhas mãos entre as pernas e fiquei olhando-as enquanto eles discutiriam. Minha mãe não podia entender como eu, uma filha tão exemplar não olhou a rua antes de atravessar. Meu pai conversava com o Bruno para saber tudo o que aconteceu. E meu irmão, bom, ele sentou do meu lado na cama e pegou uma das minhas mãos e depois me abraçou.
“Que bom que nada de grave te aconteceu” – sussurrou ele no meu ouvido
Nunca cheguei a imaginar o Marcos tão sensível. Ele me fez prometer que seria o primeiro a assinar o meu gesso.Depois de muita conversa dos meus pais com o Bruno, uma enfermeira entrou e pediu para eles se retirarem. E para o meu desespero eu tinha de passar a noite ali, para ficar de observação.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Diario de viajante - parte 13

Sexta – feira, 19 de dezembro

Realmente tem algo muito estranho acontecendo aqui nesta casa. Quando acordei hoje pensei que passaria fome até a hora do almoço, mas não foi bem isso que aconteceu. Novamente o balcão da cozinha estava cheio de comida e meus pais não estavam. Enquanto sentava para comer, quero dizer engolir a comida, porque eu estava atrasada (culpa dos meus pais que não me acordaram), eu ouvi um barulho insudercente vindo quarto do quarto do Marcos. Estava na cara que era música. Mas como eu tenho um sério problema de xeretisse aguda tive que ir até lá gritar com ele para que parasse e tocar aquela droga só para ver quem cantava.
Eu devia ter ficado na cozinha. Cometi um erro tremendo querendo saber quem cantava aquela música horrorosa. Acho que nunca vou esquecer o que vi.
Bati na porta três vezes e ninguém respondeu o que é totalmente normal. Então ao em vez de ir para escola já que estava atrasada, resolvi abri a porta. Lá estava o Marcos em cima da cama, pulando e cantando (até ai tudo bem), só de cueca e meia! Como irmã dele eu deveria ter agido normalmente já que não era a primeira vez que eu o via numa situação daquelas. O problema é que a cueca estava rasgada em um lugar nada legal (na bunda apara ser mais especifica).
Na hora em que vi “aquilo” bati a porta e respirei fundo. O Marcos não tinha percebido a minha presença até eu bater a porta. Fiquei ali parada uns minutos até ele abrir aporta de roupas descentes. Mesmo ele sendo homem, eu não estava preparada para ver “aquilo”. Pô, ele é meu irmão! Coisa mais nojenta. Ele simplesmente olhou para mim e pediu para que na próxima vez que eu for tentar entrar no quarto dele eu avisar primeiro.
“Eu bati na porta!” – repliquei sem olhá-lo – “Não tenho culpa se você é surdo!”
Sai bem rápido da frente dele. Peguei minha bolsa que estava no sofá e me mandei.
Tentei pensar em varias outras coisas, mas aquela situação constrangedora não saia da minha cabeça.
Encontrei a Gabi na porta da escola conversando com o irmão dela. Foi a primeira vez que vi aquela cena dos dois juntos. Assim que cheguei, ele se mandou. Será que eu me esqueci de escovar os dentes? Ou eu não tomei banho direito. Não...
Sei que nenhum garoto do último ano gosta de ser visto com ninguém do 8°ano. Mas eu acho uma enorme falta de educação não responder a cinco “bom dia” seguidos. Ela disse que é mal de todo garoto do último ano, que eles acham maior mico falar conosco, até mesmo nós irmãs deles.
Isso é a maior falta de desconsideração, conosco que os aturamos até agora.
Não mencionei nada a Gabi sobre o que aconteceu mais cedo em casa. Já basta eu saber do que aconteceu. Se me perguntarem o que foi que aprendi na escola hoje, vou ter de mentir. Não sei nada do que eles disseram, nem uma única palavra. Culpa do Marcos que não tem a menor decência na vida.
Quando cheguei em casa, tomei o maior susto quando vi o meu quarto cheio de tralhas dos meus pais e do meu irmão. Isso porque tem um quarto que ninguém usa aqui em casa.
“Estamos sem espaço, Bri” – foi o que disse o meu pai
“É que vamos fazer uma reforma naquele quarto” – minha mãe tentou parecer o mais convincente possível
Para piorar, o Marcos colocou uma placo em cima das coisas dele com o seguinte dizer: “NÃO MEXA NAS MINHAS COISAS!” não vi menor graça naquilo. Quem pensa eu vou mexer nas tranqueiras dele.
Ta legal! Eu mexi, confesso. Não tinha nada de interessante lá.

domingo, 10 de maio de 2009

Diario de uma Viajante- parte 12

Quinta – feira, 18 de dezembro
5° dia de aula
Sorveteira da eskina.

Meu irmão não vai para escola até segunda – feira. Foi suspenso. Minha mãe não sabia o que fazer e até agora estou sem saber o que aconteceu.
Vou confessar uma coisa muito feia que fiz hoje. Matei aula. É eu sei, meus pais podem me matar, mas como eles vão saber? Aliás, depois do almoço eu vou para escola. Acho que poderia ser perdoada numa boa por fazer isso uma única vez na vida, já que eu sou um exemplo de filha nesse mundinho. Conhecendo meus pais como conheço acho até que eles podem entender essa frustração que estou sentindo e o motivo pelo qual fiz o que eu fiz.
Na hora em que cheguei na frente da escola, eu simplesmente não consegui entrar. Não sei o que me deu. Só sei que dei meia volta na esquina e entrei numa sorveteria. O sorvete daqui é muito bom, mesmo tomando a essa hora da manhã. Comi tanto que acho que vou explodi.
Meu celular começou a tocar. A Gabi vai ter que me entender, mas eu não vou atende - lá. Acho até melhor sair daqui também. Pode acontecer de alguém da escola passar aqui e me ver. Isso é bem provável. Quase todas as professoras passam por aqui entre as aulas. Deve ser por isso que elas são bemmm grandes. Depois não sabem por que o marido delas as troca por duas de vinte.
Eu gostaria mesmo de saber o que é que eu vou fazer durante todo esse tempo que estaria sendo perdido ouvindo a orientadora que mais gospe que fala. Outro dia mesmo pensei seriamente em levar um guarda chuva para assistir a aula dela. Ninguém é obrigado a ser molhado durante meia hora.
Pensando bem, até que umas comprinhas a essa hora da manhã não cairiam nada mal. Torrar a mesada é uma coisa que eu amo fazer e vale a pena numa hora dessas. Guardei tanto dinheiro que acho que vai dar para fazer uma boa compra. Esquecei! Onde é que eu vou guardar as coisas que eu comprar? Se for apara casa na hora do almoço e minha mãe estiver lá, eu vou ficar uns dois anos de castigo. Como eu sou burra! Mas é só ligar pra ela e perguntar se ela vai estar lá, dhãr!
O telefone toca parecendo que ninguém vai atender. Talvez ela nem esteja lá a uma hora dessas.
“Alô” – minha mãe.
“Mãe você vai estar ai na hora do almoço?” – direta e sem rodeios.
“Por quê?” – custa responder sim ou não? Incrível como mãe gosta de complicar!
“Porque se você não estiver, eu nem passo ai na hora do almoço” – fale que não, por favor.
Houve um minuto de silêncio da parte dela, onde eu pensei que ela já tinha adivinhado tudo e que eu estava realmente ferrada.
“É possível que eu não esteja.” – quase gritei de alegria. Tive que me conter ao Maximo para não fazer isso. “Eu tenho que ir ao médico”
Médico? Que médico? Que não seja o mesmo que o meu....
“Talvez a consulta seja demorada. Por isso não posso te dizer com 100% de certeza de que vou estar.”
Eu vou ter de me arriscar, né? E se ela estiver? Melhor deixar pra lá.
“Eu passo ai de qualquer jeito”
Isso foi à última coisa que eu disse pra ela. Bem, eu não quero deixar as compras pra outro dia.
Convenhamos e combinemos que minha cabecinha cheia de fios loiros funciona a mil por hora quando eu preciso fazer algo, tipo assim, que quebre as regras e que me levem a prejuízos sérios com respeito um mês sem celular, PC, e sair. Conforme minha idéia maluca, daria numa boa para arranjar uma desculpa, caso:
a) Minha mãe esteja em casa;
b) Perguntem por que eu não assisti a nenhuma aula no período da manhã.
A primeira coisa que eu vou fazer é procurar um consultório medico onde meu pai tenha convênio. Um atestado medico cairia muito bem e resolveria o assunto em dois minutos na escola. E além do mais, creio que a Gabi não vai abrir a boca dela para me dedurar. A Luiza nuca, jamais faria uma coisa tão hipócrita comigo.
Por mais que eu tente negar, eu não resisto á compras quando estou na maior fossa. Onde claro, você prefere não incomodar teus pais com assuntos que eles com grande certeza vão achar estapafúrdios. E por mais que eu tente me contrariar, eu simplesmente não posso deixar de entrar em uma loja quando vejo que eles têm roupas as Smack ou do Biotipo.
Confesso só agora contra a minha própria vontade que nunca me senti tão patricinha por estar fazendo isso.
Nunca achei que fosse tão complicado achar um consultório medico quando ainda por cima não se tem sintomas de doença alguma que a ciência hoje conheça. O pior é quando o medico tem a cara de pau de te cobrar pelo atestado. Numa boa eu poderia processá-lo por isso. Só espero não encontrar minha mãe por lá. Isso seria a maior mancada da minha vida.
Andando pela rua e vendo as vitrines eu simplesmente não entendo porque por aqui não há grandes magazines. As lojas por estarem lotadas deveriam pensar no bem estar do cliente e aumentar o espaço de compra. Ou melhor, eles poderiam construir um shopping Center por aqui!
Cansei de procurar o consultório medico sem rumo algum. Parei na primeira banca de revistas que encontrei e mostrei para o dono da banca o cartão do convenio e pufff!!! Cinco minutos depois lá estava eu esperando para ser atendida pelo medico.
Mas ai eu quase tive um treco de verdade. Tudo pareceu estar acontecendo de uma só vez. O médico abriu a porta da sala e me chamou ao mesmo tempo em que minha mãe entrou lá. Tive a sensação de que ela me viu entrar na sala do médico. Espero que tenha sido apenas um estranha sensação.

Paramore - Fences

Estou sentada numa sala
feita apenas de grandes paredes
Brancas
E no corredor há pessoas olhando pela janela
Na porta eles sabem exatamente para que estão aqui
Não olhe para cima, deixe que eles pensem que não há
Outro lugar onde você preferiria estar.
Você está sempre à mostra para que todos observem e
Aprendam
Você não sabe que agora não pode voltar atrás?
Porque essa estrada é tudo que você sempre terá
É obvio que você está morrendo, morrendo
Apenas prova viva de que a câmera está mentindo
E oh oh, bem aberto, esta é sua noite, então sorria
Porque você sairá com estilo, você sairá com estilo
Se você deixasse, eu poderia
Eu te mostrarei como construir suas cercas, impor restrições
Separar-se do mundo
Uma batalha constante que você odeia lutar
Culpe os holofotes
Não olhe para cima, deixe que eles pensem que não há
outro lugar onde você preferiria estar.
E agora não pode voltar atrás, porque essa estrada é tudo que você sempre terá
Sim, sim, você está pedindo isso
Com todo fôlego que você inspira
Apenas inspire...Sim, sim, bem, você é uma bagunça
Você se gaba todoEntão agora vamos ver você andar
Eu disse 'vamos ver você andar'
Sim, sim, bem, você é uma bagunça
Você se gaba todo
Então agora vamos ver você andar
Eu disse 'vamos ver você andar'


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com



Tirando a parte final da musica, posso dizer que era exatamente deste jeito que eu estava me sentindo. A única coisa que me aliviou foi o ato do medico não me perguntar o porquê de eu estar sem a minha mãe ou o meu pai. Ele simplesmente mal olhou na minha cara e só me perguntou o que me levou até ele.“Ora, as minhas pernas!” – respondi fazendo piada“Estou falando sério menina” – ele me pareceu meio irritado nesta hora, então não quis fazer piada de novo para que ele ligasse para minha mãe e ferrasse com todo o meu plano estapafúrdio. Inventei uma história curtíssima de que eu acordei passando mal, vomitando, com dor de cabeça e com o nariz escorrendo. Infelizmente ele me fez deitar naquela maca horrorosa onde milhares de pessoas onde eu nunca vi na vida também já se deitaram e colocou aquele treco de ouvir na minha barriga e no meu coração. Também para minha desgraça ela enfiou aquele palito nojento de sorvete na minha goela e disse que eu aparentava ser bem saudável.“Nada contra o senhor, mas se eu não tivesse mal eu nem estaria aqui perdendo o meu tempo.” – menti na maior cara de pau e ele deu de ombros como se soubesse que eu estivesse matando aula.“Só acho eu se você realmente estivesse mal, sua mãe ou pai estaria com você aqui, para que você não piorasse na rua” – disse ele sem me olhar. Me senti péssima por isso e nem sei o porque exatamente. Ele nem era o meu pai ou minha mãe e estava me dando um sermão!!!Simplesmente tentei olhar nos olhos dele e pedi que me receitasse algo e me dar uma atestado medico. E foi o que ele fez sem me perguntar mais nada. Sai da sala com o coração na mão. Rezando para não encontrar a minha mãe. Esperando que ela já estivesse dentro da sala do medico dela e que só saísse depois de minutos de mim. Sorte, talvez seja isso. Minha mãe nem deu sinal de vida.Consultei meu relógio. 10h30minmin. Voltei para o centro da cidade e fui fazer minhas compras tão desejadas.
Acho que as vendedoras cansaram de me ver experimentando as roupas. Só sei que sai de lá com dez sacolas gigantes, sem brincadeira.
Para andar na rua foi um sacrifício tremendo. As pessoas não respeitam mais ninguém por aqui. Tive que ficar pedindo licença a cada dez segundos para ter certeza de que a pessoa me via e Daca licença.
E ai finalmente cheguei em casa. Duas horas depois, faltando pouco para eu estar na escola. Minha mãe não estava. Achei isso super estranho, afinal o medico dela foi no mesmo horário em que eu estava lá. Há duas horas atrás. A única coisa que encontrei lá foi meu irmão, assistindo TV. Não havia almoço, ele comeu tudo pensando que eu não iria aparecer. E eu sem opção alguma bolacha. Meu estomago não gostou muito do que recebeu, mas foi por falta de opção.


Mais tarde me casa, antes de jantar...

Ao chegar à escola eu tive que apresentar o atestado na diretoria para poder entrar. Encontrei a Gabi no corredor voltando para sala e contei a ela o que aconteceu na parte da manhã. Ela ficou me olhando como se eu fosse uma leprosa ou coisa do gênero. E então mandou:
“Você é louca ou coisa assim?” – pensei que ela ia ser um pouquinho mais compreensiva.
“Não, eu não sou louca. Só achei que merecia um pouco de sossego” – nem pensei no que disse para ser sincera.
“Pensei que você era diferente dessas garotas” – foi isso mesmo que ela disse com aquela voz de choramingar.
“Como assim você achou? Eu sou diferente!” – nessa hora eu estressei legal. Será que alguma vez na vida alguém poderia entender as minhas decisões? – “Eu só estou aqui há uma semana e se não deu para perceber, eu vou dizer: Eu não estou acostumada a mudar de vida e me acostumar rapidamente ao que não conheço!”
Nessa hora eu parei para pensar em cada palavra que eu disse. Não saiu como eu pensei. Soou como se eu estivesse berrando com ela. Ela olhou para baixo e para os lados tentando não me olhar nos olhos.
“Desculpa!” – fui eu. Percebi que estava sendo sentimental demais – “Não foi minha intenção falar com você desse jeito. Pensei que você ia me entender”.
“Entender eu entendo.”
O sinal soou.
“Só achei que você não ia chegar ao o nível do pessoal daqui”.
O resto do meu dia foi um desastre total até agora. Aconteceu uma coisa incrível, terrível. Tudo poderia ter sido até perfeito, aquela história de matar aula. Antes de todos irmos jantar o telefone toca. Presta muita atenção, o telefone toca:
“Alô?” – minha mãe –“Sim é ela...ãh, sei...uhum...mesmo?...me desculpe por isso, mas ela está muito bem.”
Ai o meu coração disparou e eu pensei seriamente em sair correndo da vista da minha mãe. Quando ela desligou, quase tive um infarto com olhar que ela me deu. Ela apenas apontou para meu pai e pra mim e depois pro quarto.
O maior sermão da minha vida começou. Primeiro ela me perguntou se tudo era verdade. Tentei me explicar, mas não deu muito certo e a partir daí não desviei meu olhar do chão para não ver o meu pai.
“Você nunca foi disso Bri. O que deu na sua cabeça?” – estranhei muito a delicadeza da minha mãe.
“Não comece com rebeldia que eu corto tua mesada e viro pai de verdade” – a pessoa mais sensível da casa se mostrou bem aterrorizado com o meu feito rebelde.
Pensei muito no que eles me disseram e concordei com boa parte. Mesmo sendo difícil não é assim que se resolver os problemas. E que se eu tentar fugir dos meus problemas, nunca vou conseguir resolve-los. Nisto eles tem razão, muita razão. Disseram também que fazem tudo isso para o meu bem e que um dia tanto eu quanto o Marcos vamos agradecê-los.
Eu sabia que um dia eles iriam ficar sabendo. Mas não esperava que e fosse ainda hoje. Tinha sido planejado tão bem que eu poderia jurar que nunca, em hipótese alguma a escola iria ligar para confirmar com a minha mãe a história de eu estar doente.
Quando sai do quarto para ir jantar o marcos estava indo para o quarto. Teve o prazer de para e rir da minha cara.
“Eu sabia que tinha feito algo errado, quando te vi com todas aquelas sacolas. Que coisa feia Bri!”
Eu entendo totalmente essa preocupação excessiva que eles têm em querer que eu passe por tudo que é problema para enfrentá-los ao em vez de pulá-los e deixá-los para outra pessoa resolve-los. Mas eu nem sei quem é que resolveria meus problemas por mim.
Pensando bem agora, eu nem tenho motivos concretos para matar aula. Mesmo assim fiz achando que tinha motivos suficientes.

sábado, 2 de maio de 2009

Diario de uma viajante - parte 11

Quarta – feira, 6h30min, 17 de dezembro
Antes de ir para a escola.

Pára tudo e chama a NASA!!!!!!!
Aconteceu um milagre na hora em que eu acordei.
Ao entrar na cozinha tive uma visão que jamais pensei presenciar. Calma, não tinha um e.t lá, era algo um pouco mais simples. Havia uma mesa preparada para o café da manhã! Sabe quanto tempo eu não tomo café da manhã? Para dizer a verdade eu nunca tomei café da manhã, não que eu nunca estivesse com fome, e sim porque nunca tinha ninguém que quisesse preparar.
E o mais estranho: meus pais não estavam. Eles nunca saem da cama antes das nove. Principalmente minha mãe.
Bati na porta do quarto do meu irmão e ninguém respondeu. Antes de sair para escola bati de novo. Nada. Abri a porta e surpresa: ele também não estava lá.
Isso comprova minha teoria: eu sou a única pessoa normal desta casa.
Ta legal eu to pegando pesado. Que sabia que o Marcos não ia dormir esta noite em casa. Tudo pela festa na casa da “Juju”. Como diz minha mãe essas festas fazem milagres. Vão em dois e voltam em três se você me entende.

Quarta – feira
4°dia de aula, espanhol


Como eu pensava. Marcos estava na frente da escola com a maior cara de sono e um bafo terrível. Comprovei isso ao falar com ele. Fui zombada pelos amigos dele até o resto da minha vida.
Gabi que havia acabado de chegar foi lá me salvar. O irmão dela também tinha sido convidado para a festa da tal “Juju”. Ninguém do meu ano sabe quem é essa.
Talvez um dia (muito distante) eu seja convidada para uma festa dessas. Só não sei se eu seria louca de não avisar os meus pais e passar a noite fora.
Ai meu Deus!
Escuta só:
“Guardem os cadernos, prova”. Ai, ela ta olhando para mim. Eu to ferrada, nem estudei.
Se a Gabi pelo menos sentasse aqui perto....
“Senhoria Massot!!!”
Fui.

Quarta – feira
Minha casa


A PROVA FOI TOTAL TERROR!!!
Se eu acertar pelo menos umas duas questões é muito e até milagre.
A Gabi disse que achou muito fácil. Claro, ela presta atenção na aula e alem do mais eu não tinha espanhol na minha outra escola. Mundo injusto. A professora deveria me liberar dessa visto que eu sou nova.
O bom foi que a Gabi disse que me ajudava depois das aulas com o espanhol até eu chegar ao ritmo da sala. Já a professora me passou o maior trabalho sobre países que falam o espanhol. Eu conheço três e olhe lá.
Na hora do almoço, quando eu passava na frente da diretoria eu vi o marcos lá dentro. Pelo menos não vai ser só eu que vai se ferrar. Seja o que for que ele tenha feito os meus pais já sabem. Calma eu não sou fofoqueira, a fofoqueira é a própria diretora que ligou e falou com a minha mãe. Ela soltou um palavrão depois de desligar. Ela ta bem ferrado.
Nesse momento meus pais estão conversando com ele na sala. Mas estão quase sussurrando para que eu não ouça. Isso é palhaçada. Pelo visto a coisa deve ter sido feia.
Talvez tenha sido a prova dele. Ele ia colar. Será que descobriram? Ou ele dormiu na sala de aula hoje. Não, isso não é possível. Pode ser algo mais grave mesmo. Devem ter achado drogas na bolsa dele. Mas que ia mexer na bolsa dele? Descarta essa ai também. Por eles eu sei que não vou descobrir nada. Então melhor eu desistir.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

diario de viajante - parte 10

Terça – feira, 00h30min, 16 de dezembro

Alguma coisa muito esquisita aconteceu. Meu pai não apareceu para jantar e até agora não chegou.
Será que na hora que eu cheguei de tarde eles estavam brigando e não quiseram me contar? Totalmente impossível. Todas às vezes que eles resolvem brigar é na frente do meu irmão ou na minha. Acho que eles gostam de um público.
Minha mãe está na sala esperando por ele até agora. Tenho algo que me diz que ele não vai aparecer hoje, não. Só não vou até a sala ficar com a minha mãe porque da última vez ela me xingou e me mandou dormir.
Espero que nada de ruim tenha acontecido. Minha mãe ligou no escritório dele e lhe disseram que ele já havia saído havia uma meia hora. Ai quando ela desligou o telefone rolou um desespero total da parte dela. O interessante foi que ela começou a gritar que a culpa era totalmente dela e mandou eu e o meu irmão irmos dormir. Desde então eu a ouço chorar baixinho. Esse deve ser o problema de ter um quarto muito perto da sala. Você acaba escutando tudo. Até o que não quer.
Pensei em ligar para Luisa para ver se eu esquecia o que estava acontecendo aqui em casa, mas como tenho um pequeno problema de língua grande eu contaria a lá o ocorrido e como ela acha que é psicóloga ia começar a falar um monte de coisas que eu finjo que entendo até ela me perguntar se eu tenho alguma dúvida.
Prefiro não encher a cabeça dos outros com os problemas da minha família. Que mentira!


Terça – feira, 2h da manhã

Péssima noticia. Meu pai ainda não chegou. Agora todos acham que alguma coisa feia aconteceu enquanto ele voltava para casa. Eu duvido muito disso. A minha idéia do que aconteceu é bem simples e totalmente diferente da idéia da minha mãe e do meu irmão. Depois de ter certeza disso eu falo o que era.

Terça – feira, 7h30min

Depois de uma noite mal dormida. E ponha mal dormida nisto faço o favor. Meu pai acabou de passar pela porta enquanto eu e o meu irmão saiamos para ir a escola. Como da última vez ele passou pela gente sem dizer uma única palavra.
Ai que eu me toquei. (Acontece que eu não sou muito de perceber as coisas de cara).
Eles brigaram na manhã passada antes que eu chegasse e meu pai disse que não voltava até minha mãe mudar o gênero dela. (Isso acontece muito, mas não nesse nível).
O pateta do meu irmão nem ligou para o que estava acontecendo. Do jeito que ele está até achei normal. Mas não ligar para o fato que mamãe passou a noite toda acordada chorando e ligando para o celular do papai já é demais. Parei ele no mesmo instante.
“Você nem liga, não é?” acho que minha cara estava engraçada porque ele riu. Isso mesmo, ele teve a capacidade esdrúxula de rir.
“Acorda pivete!” nem deu para perceber que eu sou baixinha “Isso sempre aconteceu, é um fato”.
O fato era de que ele é um grande panaca que não liga para a mãe dele. “Que fato? Quando foi que você viu mamãe chorar quando briga com papai?” ele simplesmente olhou para o céu e me tirou do caminho. “O problema não é meu! Não tenho culpa se às vezes mamãe age como uma psicopata”. Psicopata? Eu queria ter virado uma psicopata naquela hora.
Dá para acreditar que ele disse isso?
Não, não dá porque ele não era assim.
Cadê o Marcos protetor, gentil, irmão e amigo? Será que o e.t’s se importam de devolvê-lo?
Eu não tinha mais cabeça para ir a escola, mas fui do mesmo jeito.
Terça – feira
3° dia de aula
Laboratório

Quando achei que as coisas não podiam ficar piores elas resolvem mostrar que podem.
“Gorducha esse é o meu lugar”
Pô não tinha nome na cadeira.
E muito obrigado pelo gorducha, não precisava espalhar, eu já sabia disso.
Acho que para ser aceita aqui todos tem de ser altos, magros, loiros dos olhos azuis. Tudo o que eu não sou, tirando a parte do loira. Talvez seja por isso que a Gabriela não tenha amigos; ela é morena e CDF.
Aqui parece ser tudo ao contrario. Ao em vez das pessoas que e dão mal em todas as matérias serem amigas dos CDF’S (assim como eu), não. Eles se afastam o quanto podem deles.
Mais o pior é que eu nem consigo prestar a atenção na aula. Todos os meus pensamentos estão em um só lugar, minha casa. Não entendo porque eles brigaram desta vez, afinal eles haviam prometido que não fariam mais isso. (pelo menos não minha frente).
Vai entender.

Terça – feira
Almoço

Pensei muito e achei melhor não contar a Gabriela o que estava acontecendo. Eu a conheci ontem e não tenho o direito de enche - lá com os meus problemas em menos de 24 horas.
Ela acha super esquisito alguém da minha idade ter um diário, então expliquei a ela o porque e ela concordou com a minha mãe, mas disse que se eu precisasse dizer alguma coisa, era para eu contar sem falta.
Ela lembra muito a Luisa.

Terça – feira à tarde

Ao chegar em casa hoje, vi uma cena que me deixou confusa até agora. Meus pais no sofá abraçados e rindo. Fiquei parada na porta um tempo para ter certeza de que aqueles dois eram meus pais e até agora estou meio em duvida.
Os dois estão até agora juntos. Tudo o que fazem é junto. Neste momento eles estão lá na cozinha fazendo o jantar, juntos. Detalhe que eles estão cantando uma musica do século passado que eles dizem ser que foi a musica que dançaram no dia do casamento.
Gente eles são muito doidos!
Num dia nem dormem juntos, no outro parecem que tem a minha idade.
Quando eu tiver a idade deles eu não quero ser igual a eles. Deus me livre. Pelo o que eu saiba é só naquele nosso período mensal que enche o saco que o nosso humor tende a mudar tanto.
Pelo tempo que eu convivo com eles pensei que os conhecia. Sou experte em me enganar.
O Marcos ainda nem chegou e eles nem notaram.
Se eu sair, será que eles notam?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Diario de uma viajante - parte 9

Segunda – feira, 15 de dezembro
2°dia de aula
Orientação

Você já se sentiu como se todos estivessem fazendo um complô para não sentarem perto de você? Pois eu estou vendo isso acontecer agora. Todos que passam pela porta me olham e mudam de direção. Será que ninguém percebe que isso é totalmente difícil para mim?
Para tudo!!!
Alguém sentou do meu lado. Dá para acreditar?
“Meu nome é Gabriela” ela falou comigo!
“Briana”
“Senhorita Massot (eu) e senhorita Mognalia escola não é lugar de conversa” essa ai foi a senhora das narinas grandes.
Essa senhora só pega no pé de quem não faz nada (literalmente). Tem gente que fala a aula toda, todos os dias e ela nunca fala nada. Agora quando eu abro a boca, ela me repreende. Não entendo esse sistema. Mas o que importa no momento é que alguém tomou coragem e falou comigo. Até agora a pouco eu estava me sentindo um e.t igual ao meu irmão.
Gabriela é do tipo CDF da sala. Temos algo em comum (não é a inteligência, pois de acordo com o meu teste de QI posso ser comparada a um animal, e não estou brincando). Ninguém fala com a gente, descentemente. É claro.
Você devia vê-lá. Foi a primeira vez que vi alguém que reformou por inteiro o uniforme cafona desta escola. E ainda ela é vegetariana. Dá para acreditar?

Segunda – feira, almoço
Minha casa


Resolvi ir almoçar em casa. Afinal esqueci o meu dinheiro.
Quando eu entrei jurei que estava ouvindo alguém chorar. Meu pai passou por mim sem dizer absolutamente nada e foi embora. Encontrei minha ame na cozinha, pálida e com os olhos vermelhos. Eu não a via desde a noite passada quando ela saiu com o meu pai para jantar.
“Tudo bem?” perguntei querendo ouvir uma resposta concreta, não aquelas respostas de mãe.
“Não foi nada, não. Eu estava apenas picando cebola.” O que foi que eu disse? E nem havia cebola no que ela estava fazendo.
“Porque papai saiu daquele jeito?” será que agora ela podia me responder direito para varia?
“Coisas do trabalho. Cuide de sua vida Bri.” Não ela, não podia me responder direito. Oh meu pai! Porque é tão difícil receber uma resposta aqui em casa? Deixemos isso quieto.
Enquanto almoçávamos eu contei a ela sobre Gabriela. Me pareceu que sua cara havia mudado e que o choro virara pó. Ela até riu quando eu disse que me sentia como um e.t naquela sala de orientação.
Antes que eu saísse ela me chamou e me abraçou. Achei isso muito esquisito, ela não é disso. O pior foi que ela começou a chorar, mas não quis dizer o por que. Apenas disse que quando chegasse a hora certa eu seria a primeira a ficar sabendo.
Só espero que eles não pretendam fazer como o resto do mundo que na meia idade resolve arranjar um bebê para os irmãos mais velhos cuidarem.
Tenho um exemplo vivo disso:
Luisa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Diario de uma viajante - parte 8

Domingo, 14 de dezembro 2h30min

Acabei de ter o sonho mais esquisito da minha vida. Até agora.
Que saco! Não lembro mais o que aconteceu. Ahhhhhhhhhh!!!!!!



Mais tarde no Domingo

Aconteceu uma coisa muito esquisita hoje umas par de vezes. O telefone tocou e quando eu atendi ninguém falava nada. Mô sinistro! Pensei de inicio que fosse um psicopata querendo apenas ouvir minha voz até a hora que eu lembrei que não poderia haver um psicopata atrás de mim porque ninguém sabe que eu moro aqui.
Só que logo após eu desligar pela última meu pai resolveu atender e desta vez tinha alguém do outro lado da linha. A chefa dele. Será que ela é uma psicopata? Só se estiver atrás do meu pai. Será? Só se ela estiver a fim de morrer degolada pela minha mãe. Da última vez que algo parecido aconteceu rolou maior barraco na frente de casa, quando a moça da padaria estava rondando a nossa casa. Você devia ter visto aquilo. Nunca mais quero perder um momento desses. Parece que é a única vez que a minha mãe dá uma dentro. Da lhe mamãe!!!
Resolvi ligar para a Luisa (uhu!!!). Resolvi que tava na hora e assim que meu pai desocupou o telefone liguei para ela.
“Mil desculpas Luisa!” nem disse alô para você ter uma idéia da gravidade da situação. Dei a maior mancada, era a mãe dela. “A Luisa está dona Maria?”
“Bri? Que mancada foi aquela, hein?” direta ela, não? Respirei bem fundo e tentei explicar a situação. “Estava morrendo de medo de dizer um tchau”. Acho que ela não se convenceu. Ouve uma pausa de um minuto que pareceu uma eternidade até que ela falasse alguma coisa “Cheguei a pensar que você não se importava comigo, como eu me sentia ao saber a minha melhor amiga estava indo embora.” Ela realmente sabe como deixar alguém para baixo, principalmente quando ela quer que isso aconteça. Confesso que quase chorei no telefone. “Eu estava com tanta raiva dos meus pais, porque eles nem ligaram para os meus sentimentos que acabei descontando eu você. Desculpa Luisa!” ai eu chorei, antes disso só me faltava o ar. A voz dela começou a sair rouca e falhar algumas vezes, ai me senti totalmente melhor por saber que não era só eu que estava sofrendo com aquilo tudo. “Pelo menos me prometa que ira me visitar nas férias”, nessa hora lembrei-me do meu calendário escolar, que ele é totalmente ao contrario do dela. “Bem, minhas férias vão começar em fevereiro, se você não se importar de me ver enquanto as suas aulas começam.....” ela ficou muda por um temo “Por mim tudo o.k, só depende de você mesmo”. Mas ai é que estava o problema, minha mãe não me deixaria ir para lá sabendo que a Luisa estaria na escola. Totalmente impossível. “Tentarei convencer minha mãe disto. Ai te ligo quando conseguir isto dela.”
Foi uma vitoria. Pensei que morreria ao fazer isso, mas ocorreu tudo numa boa.
Depois de ligar para ela minha mãe resolveu sair com o meu pai.
Depois de quinze anos tentando ir junto aonde eles iam e sempre recebendo um não como resposta, desisti numa boa. Também sei que quando eles resolvem sair sozinho é porque eles têm algum problema e não querem nos contar. Muito comum isso.
Me dei mal nesta hora.
Meu irmão se apossou de tudo que era possível na casa. Telefone, TV, computador, geladeira... Não sei como ele conseguiu fazer tudo de uma vez só, mas conseguiu. Ele parece até com um e.t de vez em quando ao fazer isso. O que me faz lembrar de quando eu tinha uns dez anos a minha professora estava dando uma aula suuuuper legal sobre os planetas e alguém tocou no assunto dos e.t’s. o menino jurou que o irmão dele havia virado um mais ninguém acreditava nele por algum motivo. Acho que estou começando a acreditar nele.
Duas horas depois que meus pais saíram para discutir a relação em um bar de esquina meu irmão continua manipulando tudo por aqui. Realmente ele não se cansa disso. O mais incrível é que pelo telefone ele está conversando com uma turma lá da escola. Como foi que ele conseguiu fazer um amigo em apenas um dia?! Alguém pelo o amor de Deus me explica isso!
O que deu para verificar pela conversa dos dois, meu irmão pretende matar aula semana que vem, ir a uma festa escondido dos meus pais na terça, colar na prova de sexta e se encontrar com uma menina na quarta. Muito interessante essa vida do meu irmão, uma vida que nem é dele. Cara esses amigos dele devem ser maior sinistro. Me conformo de boa em não ter nenhum por enquanto.





Coisas para fazer amanhã depois orientação:
· Verificar se não há lição;
· Comer sozinha no refeitório;
· Me sentir excluída por umas cinco horas;
· Zoar com as caras dos panacas que vão fazer o teste para formar a banda da escola.
· Me sentir mais um pouco excluída;
· Voltar para casa sozinha.

terça-feira, 31 de março de 2009

Diario de uma viajante - parte 7

Sábado, 13 de dezembro

Pensei que dormiria até mais tarde hoje, mas como sempre me enganei.
“Vamos fazer compras!” berrou minha mãe ao ascender à luz do meu quarto às sete da manhã!!!!!
“Que tipo de compras?” eu tava rezando para que fosse no shopping.
Sabe onde fomos fazer compras?
Na feira à que mais parecia um bando de camelô
No açougue à que não é um bom lugar para se visitar
No mercado à onde não existe o chamado corredor das besteiras
A única coisa que sei é que to morta de cansaço. Minha mãe preferiu deixar o carro na garagem e aprender a andar na cidade. Não foi uma boa escolha. Afinal ela é toda desligada e nunca sabe da onde veio. Sinistro, não?
Só não gostei do fato de ela não chamar o Marcos para ir com a gente. As pessoas deviam ser tratadas com igualdade nesta casa. O que não acontece desde sempre.
Diz ela que o marcos esta sofrendo com o fato de estar longe da namorada. O que eu não acredito porque antes de sair de casa ele estava super alegre de deixar ela lá onde estava. Mas quem sou eu para dizer se ele está ou não se sentindo mal ou não?
Eu sou a irmã dele! E por isso acho que todos (quero dizer eu) devem saber da verdade sobre o namoro do meu irmão.
Ela chifrou ele!
Pronto falei. Sinto-me muito melhor agora. E não é mentira.
A cidade toda sabia disso, menos os meus pais que são meio lerdos pra tudo. E é por causa disso que ele não ligou de estar se mudando.
Ele quase teve um infarto quando o melhor amigo dele contou a ele que viu ela se agarrando com outro na frente da escola. Eu não tinha contra ela até o dia que eu mesma presenciei o fato. Pô meu, eu me amarrava contar as coisas para ela e agora... puff acabou. Mas demorou para a anta do meu irmão acreditar no amigo dele e em mim. Ele simplesmente achou que estávamos inventando isso porque não gostávamos dela. Talvez os vizinhos ou o irmão dela, mas eu? Nunca que eu faria isso!
Mentira de novo.

The verônicas - Revolution
Eu sou temperamental, como um coração sem lar
Eu sou sentimental, mas você não me conhece nem um pouco
Eu tenho expectativas, eu quero ser aquela que você me chama
Eu quero uma conversa, mas você não me conhece nem um pouco
Refrão:Segure firme, eu sou
Eu sou uma revolução
Feche seus olhos, eu sou, eu sou
Eu vou te enlouquecer, eu sou
Eu sou uma revolução
Por que eu tenho que explicar
Quem eu sou de novo?
Eu sei o que você está pensando
Posso imaginar o que você está esperando
Mas eu acho que você está fingindo
Mas você não me engana
Se você me conhecesse um pouquinho,
Você tiraria minha foto e penduraria na parede
Não sabia que você estava me desejando
Oh, como uma garota deve saber?
Logo quando você acha que é tudo uma tragédia
Não se preocupe, meu bem, eu vou devagar
The Veronicas - Revolution

sábado, 28 de março de 2009

diario de uma viajante - parte 6

Sexta – feira, sala de orientação

Graças a Deus eu não a única menina que está horrível dentro deste uniforme cafona. Eles nunca ouviram falar de calça e tênis?
Stage.
É esse é o nome da escola.
Talvez o fundador da escola não tenha percebido que nós não moramos em um país onde o inglês é a língua oficial.
Só posso dizer que sala de orientação é um saco total. Para que eu vou querer ter orientação antes de entrar na escola?
O mais engraçado de tudo isso é que a senhora que está dando a orientação cospe enquanto fala. Talvez deva ser por isso que não ninguém sentado na primeira fileira de carteiras. Olhando bem para a cara desta senhora eu consigo ver as narinas dela se mexerem enquanto ela respira. É bem engraçado. Só não dá para rir, porque vai pegar mal pro meu lado. Já basta ser nova por aqui.
Por mim estava tudo o.k ser nova por aqui, porque achava que meu irmão poderia me dar uma força. Mas, não foi isso que aconteceu. Pensamento tonto o meu. Ele olhou bem nos meus olhos e disse: “não fale comigo na escola.” Ele exagerou legal dessa vez. Quem vê ele é muito importante para me rejeitar. Talvez no mundo dele, mas não aqui no stage.
Sabe qual é a pior de toda essa história?
Ter que ver todos os dias essa senhora cuspindo enquanto finjo escutá-la. Não entendo sério, eu não entendo porque temos que ter orientação antes de cada aula do dia. Pelo menos me sinto aliviada de saber que não serei a única a ficar aqui ouvindo ela.
Ainda não liguei para a Luisa.
Eu sei. Estou fazendo tudo errado.
Graças a Deus o sinal tocou. A porcaria da orientação acabou.
Vejamos o horário.
Os alunos dessa escola são tão retardados. Tem um que acabou de gritar o seguinte para mim: “A pateta veio da onde?” Para uma cidade minúscula no meio do nada, até que eles estão bem adiantados nos significados das palavras. Pensei que só daqui a 5 cinco anos é que eles passariam a ver o que pateta significa.
Outro engano meu.
Preciso começar a ver pelo lado bom de tudo isso. Tem armários nos corredores. E alguns patetas só vou ver em algumas aulas.
Educação física.
To ferrada. Pedi para minha mãe levar embora o uniforme de educação física porque do jeito que eu dou sorte só teria educação física na semana que vem.
O que eu faço?
Nunca mais deixo de trazer aquela roupa.
Muito bom para o meu primeiro dia aqui.



Assim que chegar em casa eu vou....
1. Perguntar a Deus porque ele fez isso comigo.
2. Ligar para Luisa (não prometo nada)
3. Colocar o uniforme de educação física dentro da bolsa
4. Procurar algum shopping (se é que esse lugar tem shopping)
5. Comprar algo novo que acabe me fazendo ficar parecida com essa cidadezinha

Tenho que dizer contra a minha vontade que essa escola é até melhor que a outra.
(eu nunca disse isso!!!!!!!!!)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Díario viajante - parte 5

Sexta – feira, 12 de dezembro


Uma parmegina fria que nunca vi na vida. Foi horrível essa minha experiência de mudança de vida. Acho que nunca mais vou querer jantar fora. Nunca mais!
Minha mãe me acordou bem cedo. Tínhamos de comprar o uniforme da escola antes da aula começar. Será que eles não podiam esperar pelo menos uma semana para me fazerem ir à escola?
Pela primeira vez na história o marco vai estudar na mesma escola que eu. Ele não gostou nada da idéia.
“Porque mãe?” ele até disse que lá é cheio de criancinha, ele nem conhece o lugar. O que me faz lembrar que nem eu conheço o lugar.
A única coisa que meu pai disse sobre o assunto foi: “É a melhor escola da cidade”. Para o meu pai, tudo que ele escolhe é o melhor, mesmo que seja uma porcaria. Foi do mesmo jeito quando ele comprou a TV nova. Jurava que era a melhor coisa do mundo, não durou nem dois dias, pifou que foi uma beleza. A partir daí ele até parou um pouco para pesquisar e ver o que a maioria achava daquilo.
Agora até passo a lembrar da minha última escola.
Que horror que foi aquilo!
Vocês deviam ter visto. Pensei que morreria antes de chegar o fim de semana. Parecia mais uma prisão. O pior é que não tinha férias nenhuma. Janeiro a dezembro direto sem pausa alguma.
Só espero que desta vez ele tenha acertado na escolha.
Neste momento eu me encontro dentro de uma loja de uniforme escolar esperando o meu irmão experimentar o seu uniforme e ver se vai ficar bom. A única coisa que vi até agora é que ele vai ter que usar gravata. Não dá para imaginar o meu irmão usando gravata ou algo parecido no pescoço. Estou duvidando que ele vá usar.
Ai meu pai! Minha mãe acabou de pegar um pacote com o meu uniforme. EU VOU TER QUE USAR SAIA!!! Mas, não acaba na sai, tem meia até o joelho. Só pode ser um convento de freiras ou coisa parecida. As cores são horríveis, como sempre.
Só sei que serviu direitinho em mim.
O Marcos só não gostou de ter que usar a gravata que como ele diz “Parece uma coleira” e uma pasta ao em vez de uma mochila convencional.
Estou até vendo que tipo de escola é aquilo lá.
Bom, está na minha hora de seguir para escola. Uniforme no corpo e material na bolsa. É na bolsa, não se pode usar mochila neste lugar.
Se algo de frustrante ou de interessante acontecer eu apareço.

sexta-feira, 13 de março de 2009

diario de viajante - parte 4

Quinta – feira
Banheiro do restaurante

Você não tem noção de como essa cidade é calma!
Até parece que eles moram numa redoma de vidro e que qualquer sinal de barulho ela vai quebrar.
Não tem quase ninguém na rua, uma miséria dentro do restaurante, que a propósito não é lá essas coisas. Os garçons fingem que não nos vê e quando não dá para disfarçar demoram meia hora só para chegar até a nossa mesa.
Detalhe no seguinte: o restaurante é o mais famoso da cidade, onde só servem parmegiana, batata como aperitivo e os garçons usam jeans! Isso mesmo! Usam jeans para trabalhar por aqui. Só sei que lá onde eu morava isso nunca iria acontecer. Mas tenho que me lembrar que isso aqui é o interiorrrr e que nada mais vai ser como antigamente.
Tenho que voltar para mesa antes que minha mãe venha ver se eu cometi um suicídio aqui. O que ela acha bem provável, mas eu acho que nunca faria uma crueldade com o dono deste restaurante por sujar as paredes daqui, que por falar nisso, não são nada limpas.
Já faz uma meia hora que meu pai fez os pedido, mas nada chegou à nossa mesa até agora. Será que eles não têm costume de atender quem não é daqui? Puro preconceito! Nem as batatas de aperitivo deixaram na nossa mesa. Acho que vou acabar morrendo de fome antes de tentar um suicídio dentro deste banheiro
Agora fico imaginando o que eu estaria fazendo se estivesse na minha casa. Acho que estaria pendurada no telefone falando com a Luisa e ouvindo minha mãe gritar dizendo para que eu desligasse o telefone ou eu pagaria a conta do mês.
Não posso esquecer-me de ligar para a Luisa assim que chegar em casa. Devo explicações a ela. Não foi justo o que eu fiz.
Depois termino de contar como foi o resto dessa furada de jantar.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

diario de uma viajante - parte 3

Mais quinta – feira
Meu quarto

Eu poderia jurar que este tão de interiorrrr era mais mato do que cidade. Enganei-me legal nesse assunto.
A casa parece muito com a nossa antiga casa. Até aprece que os donos da empresa aonde meu pai trabalha seguem um modelo de casa para alugarem para os funcionários.
Isso aqui até parece uma cidade normal.
Agora posso dizer com toda a sinceridade da minha parte que eu fiz uma enorme tempestade em um copo d’água.
Minha mãe e meu irmão trouxeram tudo que era nosso para dentro de casa. Levaram uma meia hora até tudo estar bem a salvo aqui dentro.
Como nada está arrumado ainda e meu pai ta morrendo de fome (graças a deus ele tomou banho) nós vamos ter que ir até o centro e jantar em algum restaurante e depois dar uma volta para ver como tudo por aqui funciona.
Só tem uma coisa que e não entendo aqui: nós moramos no centro, mas até agora eu não vi movimentação de muita gente.
Agora vou ter que parar por aqui porque meus pais estão berrando na frente de casa para que ande logo.
Dá para acreditar que amanhã eu já tenho que ir para a escola? Pô nem aqui eles deixam de pegar no meu pé.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

diario de uma viajante - parte 2

Quinta – feira, 11 de dezembro
Dentro do carro

E foi quase assim que eu me sentia:
Jonas Brothers – Sorry
Corações partidos e ultimo adeus Noites sem descanso mas, canções de ninar Ajudam fazer essa dor ir embora Percebi que te magoei Te disse que estaria por perto Tentando ter forces só pra dizer Eu sinto muito Por quebrar as promessas em que eu não estava porperto pra cumprir
Está em mim Esta é a última vez que eu te imploro pra ficar Mas, você já está seguindo o seu caminho Cheio de culpa, cheio de dor Sabendo que eu devo ser culpado Por deixar seu coração na chuva E eu sei você vai embora E vai me deixar com o preço a pagar Mas antes de você ir eu queria dizer Que Eu sinto muito Por quebrar as promessas em que eu não estava porperto pra cumprir Está em mim Esta é a última vez que eu te imploro pra ficar Mas, você já está seguindo o seu caminho Não vou conseguir viver sozinho Mas se você tem que ir, então por favor garota
Só me deixe sozinho Pois eu não quero ver eu e você seguindo por caminhosdiferentes Estou implorando que você fique Se não for tarde demais Eu sinto muito Por quebrar as promessas em que eu não estava por perto pra cumprir Está em mim Esta é a última vez que eu te imploro pra ficar Mas, você já está seguindo o seu caminho
Jonas Brothers - Sorry


Isso é bem do meu pai: “Você sabe fazer amigos como ninguém.”
Em vez de ele tentar melhorar a situação, ele só piora. Até parece que ele não sabe que eu demorei um ano para fazer amigas por aqui. (É ainda estamos em nossa cidade). Parece que leva uma eternidade só para sair deste estado. É nos vamos mudar até de estado.
“Vai ser legal” disse minha mãe hoje quando eu terminava de empacotar minhas coisas.
Ninguém nunca me disse que seria legal largar os amigos (neste caso é apenas uma) e o resto da família. Será que ninguém nunca informou aos pais que adolescentes, principalmente na minha idade, odeiam mudar de lugar de uma hora para outra?
Pois, visualiza a situação, mas visualiza mesmo:
Eu toda desengonçada (é eu sou desengonçada, mas pulemos esta parte), chego para a Luisa e digo: “Desculpa! Mil desculpas foi bom ser sua amiga, mas eu vou mudar porque meus pais não dois lunáticos que não entende as pessoas.”
Tem cabimento uma coisa dessas? Não, não tem, mas eles entendem que uma coisa dessas tem que ser avisada com muita antecedência, como por exemplo, uns dois anos. Será que eles não entendem que o meu lugar é aqui neste estado? Eu até acho que não. Além do mais a maior culpa é do emprego do meu pai que até fez o favor de arranjar uma casa por lá.
Vai começar tudo de novo. Assim que eu estiver me sentindo bem (o que não será fácil), eles vão resolver se mudar de novo.
Eu fico imaginando como vai ser esse lugar.
Sente só:
Boi andando no meio da rua, as pessoas comprando o leite da vaca que é entregue em carroças, todos mascando um pedaço de palha, crianças com os pés sujos, sem asfaltamento e o pior um riacho que serviria para a diversão de toda a população daquele povoado.
É um total absurdo uma empresa mandar um de seus funcionários irem trabalhar em outro lugar que não seja onde mora. Será que é tão difícil arranjar alguém para trabalhar neste tal lugar? Melhor eu nem saber a resposta.
No ano passado vi a mesma coisa acontecendo com uma menina da minha rua. Eu nem falava com ela até a manhã em que ela se mudou. Ela me disse que o lugar para onde mandariam o seu pai era mais distante que o pólo norte (se é possível uma coisa dessas) e que não havia shopping por lá.
E se não haver shopping para onde eu vou? E se ninguém gostar de mim? E se realmente lá for um povoado com um bando de caipiras? E se lá não vender Avon? O que eu faço?
Embora que não posso dizer que certa pessoa viesse a fazer a mudança no meu lugar. Pobre Vitoria. Como gostaria que ela fosse morar no meio do mato. Talvez desse jeito ela talvez viesse a parar de implicar com as pessoas porque elas não compram Drakkar Noir para dar de presente. Mas, talvez ai ela passasse ainda mais a atazanar as pessoas de lá por causa disso.
Agora acho que estou fazendo uma boa ação às pessoas daquele povoado.
O mais interessante de tudo isso é que meu irmão Marcos nem liga para o que esta acontecendo (detalhe que ele tinha uma namora antes de sairmos hoje de manhã de casa).
Opa! Acabei de ouvir um barulho meio estranho. Parecia muito com alguma coisa estourando. Até parecia o pneu. Meu pai está estacionando o carro para ver o que era. Vai ser a coisa mais linda se tivermos que esperar aqui meu pai trocar o pneu.
Era o pneu.
Ai que furada!
Deve ser um sinal! Só pode ser um sinal. Um sinal para não irmos para aquele fim de mundo. To quase pulando de alegria dentro desse treco que meu pai insiste em chamar de carro. Só não faço isso porque minha mãe ta me olhando com aquela cara que ela faz quando acha que eu ou o meu irmão aprontamos alguma coisa. Ela deve estar achando que foi que sabotei o pneu.
Tentei não nego!
Acho que vai demorar umas duas horas para trocar o pneu do jeito que o coitado é meio magricelo.
Talvez da próxima vez eles pensem em pegar o avião para sair do estado e não tentar fazer uma viagem maluca de nove horas até o fim do mundo. Sairia mais caro, mas seria mais rápido. Bem mais rápido convenhamos.
Apesar de que se fossemos de avião, do jeito que eu dou sorte, era capaz de uma baleia sentar do meu lado e dormindo deixando sua cabeça que pesaria mais ou menos uma tonelada cair em cima de mim. Ainda bem que o Marcos é mais magro que o meu pai, assim ninguém sai esmagado no final das contas.
Você acredita que meu pai conseguiu se sugar de graxa ao trocar o pneu? Aonde ele achou a graxa eu não sei, só sei que o cheiro disso contagia o ar puro do carro é uma beleza. Bem, se fosse em um avião não deixariam nem ele entrar o que seria uma sorte. Acho que sorte não seria o caso porque minha mãe não o deixaria sozinho.
Acho que nessa hora Luisa diria que estou fazendo tempestade, porque ela acha que dramatizo muito as coisas. Bom, acho que ela faria a mesma coisa se fosse ela que estivesse se mudando.
Antes de entrar nesse caro mandei uma mensagem para Luisa dizendo adeus. Serio, não consegui dizer nada a ela sobre o assunto ontem a tarde e já como eu sou péssima em despedidas, juntei o útil ao agradável. Minha mãe achou horrível isso, mas acho que se eu fosse a Luisa não gostaria nem um pouco de receber um adeus por mensagem.
“Animo Briana!” disse o meu irmão que acabou de deitar a cabeça magricela dele no meu ombro. Retiro o que disse sobre ele ser super magro, a cabeça dele pesa a mesma coisa que uma cabeça totalmente normal.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Diario de uma viajante - parte 1


Quarta - feira, 10 de dezembro

Isso não é um bom começo, mas lá vai uma lista do porque eu odeio a minha vida neste momento:

10 – O sol brilha enquanto eu estou na maior fossa e não chove como nos filme;

9 – Meu irmão não dá a mínima para o que está acontecendo;

8 – Eu não tenho irmão ou irmã mais nova com quem possa falar;

7 – Eu estava quase me apaixonando pelo Brendon;

6 – Não sei onde estão meus CDs do Metro Station;
Metro Station - Shake It



5 – Tirei zero na prova final de matemática (quase repeti de ano);

4 – Sou considerada sem sentimentos por todos que acham que me conhecem;

3 – Não sei onde vou morar a partir de amanhã;

2 – Perdi minha melhor amiga, Luiza (calma, ela não morreu!);

E o motivo numero um pelo qual eu odeio minha vida neste momento é que:

1 – Vou morar onde Judas perdeu as botas e ninguém entende o porquê eu estou arrasada.


Às vezes, quando parece que as coisas não podem ficar piores é ai que elas resolvem piorar de vez.
Meus pais acham que tudo que resolvem fazer acaba sendo para o meu bem e para o bem de meu irmão. Pois eles estão bem errados. Eles acham também que eu não digo tudo a ele. É possível uma coisa dessas? Foi por isso que hoje de manha depois do café da manha recebe deles este livro.
Eles até podem estar certos ao dizer que eu não conto tudo a eles. Mas só desta vez, eu juro. Disseram que talvez assim de algum modo possa expressar meus sentimentos do jeito que quiser sem ter que gritar com alguém quando não gosto de algo.
Querem que eu expresse meus sentimentos aqui? Então ta, não vai dizer que não tentei.
PORQUE RAZÃO ELES QUEREM ACABAR COM A MINHA VIDA ME TIRANDO DAQUI?!
Como se não fosse muito difícil morar neste lugar horrendo onde todos insistem em chamar de cidade, agora eles acham melhor se mudar para um lugar mais tranqüilo. Será que eles não percebem não pode haver no mundo algum lugar mais tranqüilo que esta cidade?
Acho que não.
Eles poderiam, sabe sentar comigo e com o meu irmão e perguntar o que achamos da idéia de se mudar, mas não, não é isso que ocorre nesta família.
De repente eles chegaram e disseram tranquilamente durante o almoço da semana passada “Vamos no mudar na semana que vem para o interior”. E você devia ter visto como eles pronunciaram o interior, parecia mais com “interiorrrrr”.
Você deve achar que eu faço tempestade eu copo d’água, mas, você não sabe o já foi viver aqui durante quatorze anos.
Meu irmão nem ligou para a notícia, apenas levantou da cadeira e correu para o quarto gritando “Oba!”. Aonde ele viu algo bom nesta história eu não sei.
Este é o maior país da América – latina, com milhares e milhares de cidades e eles tinham logo de escolher algo no interiorrrr? Porque isto foi acontecer logo comigo? Não poderia ser em outra família onde todos sejam loucos e gostem da idéia de simplesmente mudar de uma hora para outra? Bem, acho que não. E agora eu tenho de alguém esta tortura. Uma viaje longa e torturante de mais ou menos nove horas de carro. Será que meus pais nunca ouviram falar de avião ou será que a nossa família anda em crise e eu não sei?
Pai, mãe obrigado, muito obrigado por quererem saber a opinião dos outros na hora de decidirem mudar completamente o rumo da vida dos outros.