Meu estomago estava roncando e a fila não andava.Olhei mais uma vez para o começo da fila tentando entender qual era a dificuldade de entregar um McLanche Feliz para a garotinha que levantava os pés segurando-se na ponta do balcão. O relógio em cima da moça do caixa marcava 16h30min. Fazia meia hora que estava ali esperando apenas pelo meu Big Mc com um punhado de batata fria e um copão de coca zero enquanto Milena ficava tagarelando sem parar ao meu lado.
Tudo bem, era apenas um Bic Mc, uma grande quantidade de caloria e gordura saturada, dois hambúrgueres, alface queijo e molho especial, cebola e picles num pão com gergelim. E muita culpa depois de comer tudo.
- Hei, Samanta você está me ouvindo? – perguntou Milena me cutucando. Odeio quando ela fica me cutucando – Você está babando!
- Desculpe o que você disse? – quis saber limpando o canto da minha boca que não tinha baba nenhuma!
- Então, sobre o seu irmão mais velho...
- O que tem o Marcelo? – questionei interrompendo olhando para o começo da fila novamente. – Por acaso você não quer insistir naquela idéia de chamá-lo para o baile da escola está?
Ela nem precisou responder. Só de ela ter abaixado à cabeça e respirado fundo, me fez perceber que ela continuava com aquela idéia maluca mesmo depois de eu ter passado duas horas inteiras tentando fazê-la entender que ele nunca ia aceitar.
Meu irmão não era uma grande escolha para acompanhante do baile de outono, mas adianta explicar isso a Milena? Não, isso é impossível, já que a coitada ficou hipnotizada pela feiúra dele desde os sete anos de idade.
Segurei-a pelos ombros e a encarei esperando que essa fosse à última que vez que teríamos essa conversa.
- Mi, ele não vai aceitar. – murmurei – Pela milionésima vez, tira essa idéia louca da cabeça! Ele é o capitão do time de basquete e não vai com a amiga da irmã anti-social dele a lugar algum!
- Mas...
- Mais nada Milena. – conclui me virando para a fila.
Às vezes nós temos de ser dura para que as pessoas nos ouçam e no caso de Milena, temos de ser quase que sem educação para que as palavras lhe penetrem os ouvidos e cheguem ao cérebro. Não que ela seja débil mental ou algo do gênero, só não tinha a capacidade de entender as coisas a sua volta e separar o real da fantasia.
É claro que ela conhece meu irmão desde sempre, mas meu irmão mais velho, o Marcelo nada bonito capitão do time de basquete da escola, não é muito fã das minhas amigas. Quero dizer da Milena. Talvez porque ela não faz o gênero líder dramaticamente louca e loira de torcida.
- Ele aceitou. – pude ouvi-la dizer quase num sussurro. – Ele disse que ia comigo ao baile de outono.
- O quê?! – exclamei embasbacada me virando para ela – Ele aceitou? Você ficou louca? Ele é meu irmão!
Isso me fez perder a fome.






