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Quatro anos de felicidade!!!




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sábado, 3 de julho de 2010

Garoa


São 1:15 da manhã. Continuo me perguntando se era aquilo que eu pretendia fazer. Afinal das contas em lembro de ter planejado tudo um o mínimo de cuidado possível. Eu entraria no restaurante e te veria ali sentado na mesma mesa de sempre, com uma taça de vinho tinto em uma das mãos se deixando divagar entre seus pensamentos.
Era isso que eu devia ter encontrado quando passei pela porta de vidro sorridente e olhei fixamente para aquela mesa. E lá estava você. Com outra pessoa. Em vez de vinho havia um balde de gelo no canto da mesa guardando uma garrafa de champigne. E o que mais me perturbou foi ver você rindo.
Tive vontade de fazer inúmeras coisas naquele instante. Queria gritar, correr até lá e virar a mesa, simplesmente acenar quando você finalmente me viu. Em vez disso, dei as costas e saí do mesmo jeito que entrei. Agora eu sabia que não me restava nada a perder. Quer dizer, o que eu poderia fazer? Chorar a noite toda estava fora de cogitação, você não merecia. Merecia menos ainda aquelas palavras que trocamos em promessa de que o nosso amor seria eterno.
Olho a rua agora minha volta cheia de luzes, casais andando abraçados rindo, carros passando ao meu lado com o som no último volume, e uma pequena garoa cair. E eu?
Ando sem rumo, procurando um destino. Um novo destino.
Atravessei a rua correndo, nem sei porquê. Entrei em uma das daquelas velhas lojas de discos. Peguei minha bolsa e joguei-a em cima do balcão com raiva fazendo barulho ao derrubar o pequeno sino. Então de trás do balcão uma mulher se levantou com uma revista nas mãos e me encarou torcendo o nariz.
- E então como foi? - me perguntou ela.
- Bem, eu acho. - respondi soltando o ar de meus pulmões ao me aproximar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Despedida


Era burrice. Pura burrice, repetia para mim mesma parada ali na estação de trêm em meio a multidão fechando meus punhos enquanto meus pés não obedeciam aos meus comandos. Podia sentir meu rosto ficar quente, meus olhos arderem e pessoas esbarem em mim como se não me vissem. O que havia de errado comigo? Só precisava dar alguns passos e dizer alguma coisa, qualquer coisa!!!
Naquele momento ouvi aquele barulho se aproximando, as pessoas ao meu lado correrem me empurando. Respirei fundo segurando as lagrimas retirando o capuz de minha cabeça. Era a última vez que eu ia fazer uma loucura dessas. Olhei por cima das pessoas a minha frente dando pequenos pulos avistando logo a frente da linha amarela de segurança aquela mochila que guardava o skate que dei para Murilo de presente.
Meu coração estava acelerado, estava suando tentando passar entre aquelas milhares de pessoas para chegar até ele. Ele não podia me deixar aqui, não desse jeito, sem explicação. Pisei em alguns pés sentindo-me esmagada ao cotovelar para que me dessem espeço.
O barulho ficava mais forte, rangendo o trilho, um pequeno farfalhar da buzinha e uma luzinha logo apareceria no tunel. Estava ofegando e parecia que nunca chegaria até ele. Senti meu pé ficar preso e quanto mais eu o puxava, mais o ar ia me faltando e minha visão escurecendo, perdendo Murilo de vista.
Não me lembro de ter feito nada de extraordinário naquele momento, mas no segundo seguinte meu corpo estava tão apertado que senti a necessidade de gritar, de explodir meus pulmões no ar. E nesse momento fiquei pensando, pensando no que haviam me dito: "Se um homem quer você, nada pode mantê-lo afastado. Se não, nada pode fazer ele ficar".
Vi uma brecha no chão e me sentei chorando de raiva escutando o trêm parar na plataforma e as portas então se abrirem. Só que eu estava enganada. Murilo não ia embora sem me dar uma explicação.
Ele estava ali ajoelhado ao meu lado, com uma das mãos em meus cabelos, me olhando assustado. Tudo bem, era eu quem olhava para ele assustada por estar deixando trêm partir.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fame (2)

Doze horas antes:
- Seu celular. – avisou Demetria entrando no banheiro – Não conheço esse número. – disse me entregando
Olhei o visor sentindo um arrepio percorrer minha espinha. Esperava não ter que ver mais aquele número. Pensei que todo aquele tormento já havia acabado. Mas, eu devia saber que não era eu que determinava essas coisas. Mesmo que tivessem me prometido que ninguém jamais voltaria a me ligar no meio da noite.
Mas eu queria o que?
Sorri para Demetria e fechei porta para que ela não pudesse me ouvir, sabendo que ela ainda grudaria o ouvido na porta para me escutar. Sentei na privada encolhendo minhas pernas finalmente apertando o botão SEND.
- Graças a Deus você atendeu esse celular, menina! – disse aquela voz estridente do outro lado da linha.
- Algum problema senhora Della Nina? – perguntei quase num sussurro – Afinal está meio tarde para me ligar.
Rezei para que ela dissesse que discou o número errado e que eu não devia ficar preocupada, pois nada de ruim aconteceu. Torci meus dedos em sinal de figa na sorte dela me mandar dormir.
- Temos um grande problema menina! – bradou ela histérica como sempre – Estamos em uma grande enrascada e você vai ter de agir conforme o plano.
O plano. Havia me esquecido completamente dele. Ainda sonhava com um dia em que Raquel Della Nina não me ligaria durante a noite me avisando que algo deu errado e que Rafael Schmidt – aquele ator lindo de morrer que fez o filme “Uma vez é para sempre” – estaria em uma grande enrascada se eu não ficasse de bico fechado e fizesse tudo direitinho como havíamos combinado meses atrás quando ele veio fazer um tipo de ‘seminário’ aqui na cidade para seu mais novo filme Loucuras da Vida. Um filme que nem fiz questão de ver, já que apareci nele sem querer.
Só que não é por causa dessa minha aparição desastrosa no filme que Raquel está me ligando à uma hora dessas, mas sim por que eu dei uma de garçonete na festa de lançamento do filme que foi aqui mesmo e por acaso esbarrei em Rafael com a minha bandeja cheia de vinho, cocas, champigne e tive de levá-lo para a cozinha para limpá-lo. Grande erro meu.
Devia ter largado ele lá no meio da festa daquele jeito e ninguém notaria. As pessoas só notam para o rosto perfeito que ele tem e nada mais, nem mesmo para a atuação dele nos grandes filmes que faz.
Mas eu queria dar uma de boa samaritana e o levei para a cozinha prometendo que limparia aquela sujeira enquanto ele dizia que ‘tudo bem não tem problema’, mesmo sabendo que se meu patrão me visse naquele instante, seria demitida. Só que não reparei quando um fotografo mal intencionado nos seguiu passando por vários outros garçons e entrou na cozinha e nos flagrando em uma cena condenatória.
Raquel havia me prometido que faria de tudo para que aquelas malditas fotos fossem apagadas e que o fotografo receberia uma boa quantia em dinheiro para ficar de bico calado e não dizer nem um pio sobre o que viu naquela noite.
Ai, eu me pergunto. O que Raquel faz me ligando à uma hora dessas depois de meses do acontecido, quando eu tinha certeza de que nenhuma foto seria publicada?
- As fotos vazaram Sara! – berrou ela me fazendo afastar o celular do ouvido – Estarão em todas as revistas de fofoca amanhã de manhã!
Ow não! Não, não, não! Ela havia me prometido que isso jamais aconteceria!
Minha vida se tornaria um completo inferno quando todos dessa cidade vissem aquela foto. Principalmente se Marcelo meu namorado visse aquela foto. O que eu diria a ele? Afinal eu já o namorava quando tiraram aquela foto. Eu estava ferrada. Toda ferrada. Seria motivo de cochichos pela vida toda! Tudo bem que quando aquilo aconteceu, eu não pensei direito e Rafael estava quase bêbado. Disso eu tinha certeza. Ele nem devia lembrar do meu rosto. Nem do que aconteceu.
Erros. Todos nós os cometemos.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Adolescentes secretos

- Giiu, você é louca? - perguntou Hellen num sussurrou sentada na janela
- Shhh! - fiz para ela tentando ver o que tinha por de trás daquele buraco na parede. - Fique quieta Hellen, eles podem ouvir.
Cheguei mais perto da parede me apoiando com as mãos para ver o que havia ali. Tinha certeza absoluta que vi dois homens altos, fortes, de barba e jaquetas de couro entrarem naquele velho galpão rindo e dizendo em alto e bom tom como ninguém descobriria o havia ali.
Esse era um típico engano de capangas metido a mafiosos que tentam sair da classe baixa com um 'golpe' no estado ao tentar falsificar dinheiro.
- Eles disseram que o caso estava encerrado. - lembrou Hellen murmurando - Acabou Giiu, entendeu?
- Não, não acabou. - retruquei nervosa ao ver um daqueles capangas pegar um saco que estava no chão e jogá-lo sobre uma velha mesa - A agência foi enganada.
Ouvi Hellen bufar. Era algo que ela sempre fazia quando não conseguia me convencer a deixar esses assuntos para nosso chefe, o diretor da agência de treinamento para agentes secretos adolescentes. O nome é bem sem graça, mas é relamente o que quer dizer, afinal quem suspeitaria de duas adolescentes cheias de espinha e laquê no cabelo andando por uma doca perto da meia-noite?
Tudo bem que não é o lugar para uma garota ficar andando, mas você sabe qual é a fama que todos os jovens tem hoje em dia quando andam por ai parecendo perdidos.
Colei meu rosto no buraco para escutar o que eles diziam. Eram apenas sussurros.
- Está aqui! - disse um dos capangas largando-se em uma cadeira - Tudo o que você pediu.
Com quem ele estava falando? Devia er um jeito para que pudesse ver todos que estavam ali.
- Um milhão em notas não marcadas? - perguntou uma voz rouca.
- Um milhão. - garantiu o capanga - E onde está a mercadoria?
Uma risada ecoou pelo galpão. Uma risada que eu conhecia.
- Vamos embora Giiu. - pediu Hellen colocando uma das mãos em meu ombro - Por favor, a agência cuida disso.
- Hellen, é ele! - disse me afastando do buraco na parede - Eu tenho certeza.
Foi então que aconteceu.
Um tiro. Um barrulho. Algo pesado caindo.
Pulei a janela correndo retirando a arma que havia guardada na parte de dentro o meu casaco procurando a porta de entrada. Podia ouvir a confusão lá dentro quando parei na porta com Hellen ao meu lado segurando sua arma na altura do queixo.
Chutei a porta e quando se abriu entramos apontando a arma e gritando FBI.
Foi então uma supresa quando vi ali segurando o saco com uma arma nas mãos o meu chefe.
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To be continued...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A última vez.



Meu coração estava doendo. Minha mente estava confusa. Minhas mãos suavam. Meus ouvidos não acreditavam no que ouviam. Porque isso estava acontecendo?
Eduardo me fitava com aqueles olhos azuis segurando minhas mãos tremulas, enquanto me segurava para não chorar. Talvez ele estivesse certo ao dizer que nos tornamos pessoas diferentes do que éramos sem nos dar conta disso, mas ele não tinha razão ao dizer que eu fui a causa dele se tornar alguém insuportável, controlador, possessivo.
Ele soltou minhas mãos passando a apertar meus braços quando suspirei. Suas mãos estavam me machucando. Com um único movimento olhando para o céu ele me puxou para os degraus atrás dele, me fazendo tropeçar.
- Meu pai estava certo quando me disse para ficar longe de você. –disse ele levantando meu rosto para olha-lo – Ele tinha razão ao dizer que você me mudaria.
- A culpa não é minha! – retruquei nervosa tentando soltar meus braços.
Senti minha garganta arder, senti minha testa ser pressionada contra a dele e minhas mão tentavam empurra-lo para longe de mim.
- Você me fez perder o contrato de um hotel! – bradou ele cerrando os olhos a centímetros de mim – Me fez perder a chance de me tornar maior que meu pai!
- E isso apenas se trata disso? – questionei afastando-me – De sua briguinha com seu pai? Uma coisa que aconteceu há anos?
Desvencilhei-me dele e me virei para descer os degraus quando senti uma pressão contra mias costas me fazendo perder o equilíbrio e cair ali. Me apoiei no chão bufando de raiva. Ninguém nunca se atreveria a fazer isso comigo, eu era intocável. Olhei para os lados vendo uma pá que o jardineiro havia esquecido. Estiquei meu braço ralado até ela segurando-a firmemente.
Me levantei de vagar com raiva, ódio de Eduardo. Virei em direção à escada, vendo-o parado no patamar de costas para mim abotoando o seu terno.
Subi os degraus batendo o pé e sem pensar acertei-o com a pá na cabeça. Ofeguei quando ele pôs as mãos na cabeça que sangrava e caiu aos meus pés de olhos abertos e mãos estendidas. Soltei-a pá e abri minha bolsa pegando meu celular.
- Allison?
- Sim, Catherine?
- Eu tenho algo que quero te contar, mas você tem que prometer nunca contar a ninguém.
- Eu prometo.
- Jura pela sua vida?
- Eu juro pela minha vida.
- Acho que matei meu namorado.
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Ufa!
Em cinza trecho da música Secret doThe Pierces

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Trilha


- Ela é um desastre natural ! - bradou Michelle com as mãos nos cabelos de costas para mim.
- Mih, ela apenas tropeçou. - amenizou Henrique me dando a mão enquanto olhava meu joelho ralado.
- Obrigado. - murmurei ao meu levantar.
Michelle me fitou de mãos na cintura torcendo o nariz com aquela cara de antipatica que ela tinha. O que ela estava fazendo aqui se no final das contas se nem gosta de fazer trilha?
Dobrei meu joelho sentindo uma pequena dorsinha chata que já passaria.
Recebi um sorriso de Henrique e voltei a caminhar ao lado deles mancando.
De alguma forma Michelle tinha razão, eu era um desastre. Em meia hora de 'caminhada' eu consegui cair pelo menos umas quatro vezes tropeçando em raízes que definitivamente eu não via, me arranhava nos galhos das árvores só de encostar nelas e ficava ofegando como se fosse morrer.
- Olha, eu não quero ser chata Maria, mas isso são meus sentimentos por você traduzido em palvras. - contou ela andando na minha frente - E você sabe bem quais são os meus por você.
Sei. Puro ódio.
- Vamos parar com essa implicancia tonta? - pediu Henrique parando Michelle segurando-a pelo braço - Deixe Maria em paz por um minuto.
Ele estava bravo. Estava encarando Michelle com o cenho franzindo, balançando a cabeça.
- Eu deveria esperar por isso! - arfou Michelle desvencilhando-se da mão de Henrique virando-se para mim. - Você sempre consegue a atenção dele, mesmo sendo uma lesada.
- Eu sou lesada? - questionei - É você que está fazendo drama cada vez que vê um mosquitinho.
Foi quando eu a vi ficar vermelha de raiva e levantar os braços. Meu primeiro pensamento era que eu ia apanhar ali e sairia roxa. Mas em vez disso, ela me empurrou.
Não preciso dizer que sou perfeitamente equilibrada, porque se fosse não teria batido o calcanhar em uma pedra e pendido para trás, onde havia uma barranco que dava para um rio e escorrequei.
Rolei o barranco sentindo minhas pernas queimarem ralando na terra e minhas mãos baterem contra uma da pequena árvore a qual tentei me segurar e parei ao bater minhas costas em algo duro.
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Não é um SUPER conto como havia prometido, mas foi o que consegui escrever.
Tem continuação no sabado.
Até lá!
Não esqueçam de passar no remember the sunshine. e deixar um coments bem lindo no meu post.(little hope).
Frase em cinza é uma parte da música "Last of the american girls" do Green Day;
Em rosinha uma frase da música "O que eu também não entendo" do JQ.

sábado, 10 de abril de 2010

Acampamento de verão

Corri. Corri o mais rápido que consegui. Ainda sentia as lagrimas escorrerem quentes pelo meu rosto. Dentro de mim, eu deveria sentir vergonha por fugir de algo que não era verdade.
Quin havia feito de novo. Espalhara seu veneno por toda a escola. Fez com que rissem, que cochichassem e que apontassem para mim ao verem aqueles panfletos cor-de-rosa espalhados por todo o corredor. Ela me humilhou mais uma vez.
Entrei no banheiro e me olhei no espelho. Aquela não era eu. Não costumava chorar e fugir dos problemas. Sentei-me em uma das privadas batucando os pés no chão enquanto enxugava as lagrimas com o dorso das mãos. Apenas eu sabia o que tinha acontecido no acampamento aquele verão. Eu e mais ninguém.
Fechei a porta me encolhendo sobre a privada abraçando meus joelhos. Quin estava errada, eu nunca havia dado uns amaços em Mikey na cabana de pesca durante a fogueira de historias. Funguei tentando me concentrar, querendo me lembrar exatamente daquele dia e o que tinha acontecido para não começar a acreditar no que ela escrevera nos cartazes.
Aquele era o mesmo acampamento de sempre. O mesmo de dez anos atrás. Foi nesse acampamento à beira da represa que conheci Mikey quando tínhamos oito anos, enquanto ele jogava pedras na água em cima do píer.
Sai do carro respirando fundo, carregando comigo a mesma mala amarelo berrante com compartimentos secretos para os chocolates da meia-noite. Depois de me despedir da minha carinhosa e cabeça-dura mãe, caminhei até a mesma cabana que dividia com Mikey todos esses anos.
Abri a porta encontrando tudo como tinha deixado, até mesmo o chiclete grudado ao lado da cômoda. Joguei minha mala sobre a cama e fui procurar Mikey, que já deveria ter chegado. Isso explicava a mala azul sobre a cama dele.
Indo em direção ao píer na beira da represa avistei Mikey jogando pedras, com um boné de beisebol cobrindo seus olhos sob uma franja jogada de lado.
- Azulzinho? – chamei subindo no píer – Chegou cedo. – disse enfiando minhas mãos nos bolsos da blusa ao me aproximar e ver seu rosto triste – O que aconteceu Mikey?
Ele me encarou com aqueles olhos cor de mel e me deu as costas.
- Sara, preciso te contar algo que estou escondendo desde o último acampamento. – disse ele ao se sentar atirando outra pedra. – Eu sou gay.
Não disse nada. Fiquei ali um bom tempo vendo-o jogar as pedras na água. Quando começou a entardecer e os monitores nos chamavam ele me fez prometer que não contaria a ninguém, porque ele estava apaixonado por Lucas, o zagueiro do time de futebol da escola, até então namorado de Quin. E eu não podia revelar isso agora apenas para desmentir Quin.
Levantei-me e sai do banheiro ainda com o rosto quente, com as mãos nos bolsos na blusa. Para qualquer efeito eu havia realmente ficado com Mikey na cabana de pescas na noite da fogueira de historias durante o acampamento de verão e me orgulhava disso, porque eu simplemsnete não posso parar com isso agora.
(O que REALMENTE aconteceu naquele verão maluco - entre ele e eu)
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Em cinza trecho da música "Alice" da Avril Lavigne.

terça-feira, 30 de março de 2010

Casa de Campo: The finished


Aqueles olhos estavam cerrados me encarando com um sorriso no rosto enquanto batia em uma das mão um pedaço longo de madeira cheia de farpas. Com a raiva que eu tinha dentro de mim, poderia ali mesmo voar para cima dele e o matar a marteladas antes que ele se desse conta do que estava acontecendo.
Saí me arrastando do porão com as mãos cheias de areia segurando o martelo ensanguenatdo esperando que ele viesse para cima para acabar com aquele terror.
Me indireitei a alguns passos na frente dele respirando fundo tentando ficar calma naquela situação que poderia definir minha vida ou minha morte. Eu só teria tempo para correr. Mas, correr para onde?
Ali ao meu lado havia um pequeno caminho que tinha avistado quando chegamos na tarde passada que levava a um rio com um longo gramado a sua volta que acabava em uma floresta. A estrada por onde tinhamos vindo, se perdia em uma trilha cheia de cascalhos e burracos por mais ou menos dois quilometros até chagar na rodovia. Não aguentaria correr dois quilometros nem que isso dependesse da minha sobrevivencia.
Apertei o martelo em minha mão sentindo o sangue escorrer pelos meus dedos enquanto ele começava a rir. Era uma gargalhada alta. Uma gargalhada fatal como se fosse de uma vitória.
Com medo dei dois passos a minha frente parando quando ele abaixou a cabeça me fitando estendendo a madeira para o chão com os punhos cerrados.
- Porque você está fazendo isso? - me atrevi a perguntar com a voz falha.
- Você tem certeza de que não sabe? - questinou dele vindo em minha direção lentamente - Você não é burra Mallu. - disse parando ao meu lado de frente para o porão, o que me deu mais medo porque o cara que estava lá estirado no chão poderia se levantar e me aplicar uma chave de braço. - Mas, você acha que eu não posso ver. - sussurrou ele em meu ouvido retirando algumas mechas do meu cabelo do ombros para beijá-lo - Você estava lá como sempre com aquele sorriso olhando-o como nunca me olhou. - fungou em meu pescoço.
- Do que você está falando? - perguntei quando parou em minha frente.
- Ora do que eu estou falando! - gritou ele abrindo os braços - Eu queria que isso não acontecesse. Bem que eu queria, mas não consigo fazer com que isso pare. Você não seria a primeira nem a última. Todas iguais.
Ele soltou o ar dos pulmões e voltou a me olhar soltando a madeira no chão.
- Eu te dou dois minutos. - continuou. - Dois minutos para correr. Dois minutos para se lembrar do que me fez e então eu irei atrá de você e acabarei com a dor.
Antes que ele pudesse acabar de falar deixei o martelo escorregar entre os dedos e me pus a correr para o rio, passando ao seu lado até chegar a frente da floresta. Eu não podia ouvir seus passos, nem a minha respiração. Eu estava perdida, era o meu fim. Me embrenhei entre as árvores sentindo minha pele se cortar nos galhos. Foi então que o chão se perdeu sob os meus pés e senti meu rosto sobre as folhas e algo quente escorrer nele. Passei a mão na cabeça vendo-a vermelha. No minuto seguinte aqueles pés estavam parados a minha frente.
-Essa foi a ultima vez. - foi a últma coisa que ouvi
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Em cinza trecho da musica: Decode do Paramore
Visitem o novo projeto do qual faço parte: remember the sunshine.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Casa de campo 02


O que quer que ele tenha feito noite passada, o estava aterrorizando. E ele estava me assustando.
- Eu tenho que lhe dizer. - murmurou me dando as costas bufando ao passar a mão pelos cabelos - Mas...eu não consigo encontrar palavras pra dizer.
- Dizer o que Federico? - bradei batendo o pé.
Ele se sentou na escada a nossa frente escondendo o rosto entr as mãos. Desci os degraus me ajoelhando a sua frente soltando o ar de meus pulmões. Nunca o tinha visto assim. Segurei seus punhos tentando abaixar sua mão.
- O que você fez? - perguntei mais uma vez - O que será a última vez?
Olhei em seus olhos procurando por algo que me diria por uma vez, o que ele queria dizer. Passei minhas mãos pelo seu pescoçp e o abracei.
- Eu não mereço você. - falou em meu ouvido - Nunca mereci.
Segurei em seu rosto fitando-o com raiva. Se ele não dissesse logo o que havia feito, iria socá-lo de uma vez.
- Me diga logo o que você fez ou juro que quebro o seu nariz! - ordenei apertando seu queixo.
- Eu...eu.. - gaguejou olhando para o chão - Eu ia a cidade para comprar vinho, e o para-brisa não funcionou quando começou a chover e...
Seus olhos cerraram-se ao respirar fundo ainda sem me olhar. Virei seu rosto para mim apertando-o ainda mais para que dissesse o que tinha feito.
- ...atropelei um homem. - continuou ele - Juro que tentei ligar para a emergência, mas não tinha sinal, ele não respirava e sangrava muito e ...
- E o quê Federico? - gritei desta vez.
- Eu o coloquei no porta-mala e o escondi no porão da casa. - concluiu se levantando.
Continuei ali ajoelhada tentando absorver aquilo. Federico podia ter matado alguém. E escondeu o corpo no porão.
- Você não fez isso. - neguei entre dentes.
- Eu não sabia o que fazer! - bradou me encarando.
- E por isso o escondeu no porão?
Me levantei indo em direção aos fundos da casa ao som dos berros dele para parar procurando a porta que dava acesso ao porão. Tropecei em alguns galhos jogados no chão, parando em frente a porta que estava com uma vassoura no meio da maçaneta, trancando-a.
Retirei os cabelos do rosto e puxei a vassoura da porta, abrindo-a. Estava escuro, não dava para ver nada. Coloquei um pé na escada de dentro cerrando os olhos para enxergar quando senti algo segurar minha mão e me puxar para dentro me fazendo cair.
- Eu disse que era a última vez. - pude escutar Federico dizer ao cair no chão e a porta se fechar.
(continua...)
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Frase em cinza retirada da musica - I Belong To You (New Moon) ~ da banda Muse.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Diario aquático.

Meu querido diário otário sou eu de novo, César Cielo, quem mais poderia ser?
Acabei de dar uma escapulida do Grand Prix de Austin, aqui no Texas para não ter de enfrentar aqueles repórteres doidos de sempre que vivem me perguntando à mesma droga de sempre.
Não foi como na Seletiva Americana B, porque não quebrei nenhum grande recorde entre as Américas. Mania que as pessoas têm de ficar separando as coisas. Mas não estou ligando muito para isso não.
Na verdade eu nem gosto disso que faço, sabe nadar e toda essa pressão para ganhar sempre. Que ninguém me ouça dizendo isso, mas se pudesse não teria participado do Open em São Paulo para não ter de pagar o mico de colocar aqueles supermaiôs. Só que eu não quero ouvir Brett Hawke gritar mais uma vez no meu ouvido com aquele sotaque caipira enquanto cospe como eu deveria esticar mais os braços, respirar menos e mergulhar mais fundo e rápido ao pular da plataforma.
A única coisa boa que me aconteceu nessa competição de meia tigela foi ter ficado na frente aquele enjoado do Garrett Weber-Gale, que chegou quase uma década depois de mim e do problemático Matthew Grevers que eu ainda acho que está dentro da piscina procurando o lado da largada.
Uma vez nessa vida eu queria perder uma dessas competições chatas onde nunca tem música descente tocando e frango com polenta. Só que se isso acontecesse a Arena e a TNT retirariam o patrocínio e bay bay piscina e bebida de graça forever.
Hoje me dei conta que havia esquecido aquele maiô esquisito que o Gustavo Borges me deu uns anos atrás. Como é que eu tive a capacidade de guardar aquilo por tanto tempo? Meu, aquele negócio foi usado por ele, e não tem mais utilidade alguma, será que ele esperava que eu a emoldurasse ou coisa assim? Acho que vou jogar no lixo, ou doar para os pobres. Não tem fundamento continuar guarando aquele treco.


Mais um dia chato dentro de piscinas com fungos e micoses na vida de Cesão.
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Aí que pecado! Eu amo o Cesar Cielo e me doeu o coração tirar uma com a cara dele ao escrever esse 'diario ao contrario'.

sábado, 13 de março de 2010

Emboscada

- Preciso muito de sua ajuda. - falou ele - Algo deu errado e não tenho como sair. - murmurou do outro lado da linha.

Desliguei o telefone e sai do carro para a penumbra da noite sem estrelas onde ventava muito e meus cabelos se esvuaçavam por cima do sobretudo preto ao atravessar a rua e parar a frente daqueles portões altos de ferro cercado de câmeras que já estavam desligadas. Olhei a sua volta examinando por onde ele entrara. Miguel era muito burro, o plano era simples e facil e ele o transformara em um momento de terror, onde gostaria muito de ligar o carro e largá-lo a própria sorte.
Dei alguns passos ao lado do muro coberto com musgo e vi aqueles pinos que ele plantara para poder subir e pular sem problemas. O problema viria na hora de arrancá-los sem que ninguém ouvisse o barulho de concreto quebrando em meio a madrugada. Apoiei meu pé no primeiro pino agarrando-me a parte superior do muro por onde via um longo lardim florido com esguichos ligados e todas as luzes da casa de dois andares apagadas. Pulei o muro observando as janelas um ponto de luz mostrando onde Miguel estaria.
Contornei a casa parando nos fundo onde havia uma treliça por onde ele subira até o segundo andar entrando pela janela do escritorio. Entrei pela janela sentindo meu celular vibrar novamente.
- Mia, cadê você? - perguntou Miguel num sussuro.
- No escritorio. - respondi analisando a estante cheia de livros, correndo os dedos pelos vastos nomes - Qual o problema?
- Saia da casa. - ordenou ele - Saia já.
Parei a frente da porta antes de tocar na maçaneta ao ver uma sombra em baixo dela. Recuei lentamente desligando o celular. O plano dera errado. Havia mais alguém na casa e não era Miguel. Passei pela janela descendo a treliça e corri pelo jardim parando no muro ao ouvir um tiro. Apoie-me nos pinos atravessando muro desejando que Miguel tivesse atirado e não o contrario. Respirei fundo parando na calçada dando uma última espiada no portão de ferro quando percebi que uma pequena luz vermelha das câmeras estavam ligadas. Meu celular vibrou, era Miguel.
- Eu sei quem é você. - disse a voz rouca do outro lado da linha - Agora é a sua vez.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Breve final


Meus olhos não podiam acreditar no que viam. Essa era a única coisa que eu esperava. Uma traição daquelas não poderia acontecer de uma hora para outra. A coisa já deveria ter sido premeditada com antecedencia.
Minhas pernas estavam bambas e minha garganta segurava um grito que implorava para ser solto e acabar com aquilo de uma vez. Por que logo eu? Ela era a minha melhor amiga. Pelo menos era isso que eu achava até cinco segundos atrás.
Ali na minha frente, Mia se encontrava entrelaçada com o meu namorado em meio a uma multidão de pessoas no shopping que nos conheciam e que espalhariam a notícia sem a menor dificuldade. Talvez esse fosse o seu plano, roubar o que era meu e deixar que todos ficassem sabendo para ter um gosto há mais para se vangloriar de sua infame proesa.
Eu poderia esperar aquilo de qualquer pessoa, até da minha irmã mais nova, mas não daquela menina miradinha que vi crescer, que tinha vergonha de sair porque estava com uma espinha no meio da testa. Ela era minha confidente e eu a escutava chorar todas às vezes que seus pais tinham uma séria discusão.
O que a levaria a fazer isso? Ela já não estava contente com o fato de que dei a ela o posto de líder de torcida semana passada porque eu não estava mentalmente preparada para a competição anual? O que havia de errado com ela?
Ali parada sem conseguir dizer nada minhas mãos subiram a boca para tentar engolir o choro que se aflorava cada vez mais rápido não me deixando outra saída a não ser dar as costas aquela cena patetica ou a causar o maior escandalo que essa cidade já vira.
O que Mia fazia ali?
Respirei fundo dando um passo curto até onde os dois se encontravam à porta de uma loja movimentada atrapalhando a circulação dos clientes. Parei ao lado de Mia e dei um leve pigarro.
Aqueles olhos entre abertos assustados não me diziam absolutamente nada. O rosto palido de Emanuel mostrava que tinha sido pego de surpresa, o que me levou a considerar que Mia era a única culpada. Mas, eu havia aprendido desde cedo que nada é feito se ambas as partes descordavam.
- Quem sabe um dia - comecei nervosa -, você possa me dizer realmente a verdade por trás disso tudo.
- Mia, eu... - Mia tentou dizer algo, mas pedi para ela parar com um simples acedo.
- Não preciso saber agora. - disse calmamente segurando o choro - Suas explicações não vão me fazer acreditar que a culpa não foi sua.
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E continua....

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Eu te amo não é bom-dia!


"Desta vez será diferente." Pensei enquanto cruzava a praça, andando lentamente com a cabeça em vários lugares, segurando alguns livros em minhas mãos, pendendo para a esquerda com o peso da minha bolsa lateral.
Meus pensamentos foram bloqueados no momento em que meu celular tocou. Em um claro mal humor chequei a mesagem que havia chegado. Rezava para que não fosse dele novamente.
'A respito daquilo que a gente tava conversando ontem, antes da sua mãe chegar, eu realmente estava um pouco bravo. =[. Chateado na verdade, porque eu falei o que sentia por você e você ficou muda'.
Meu coração sentiu uma pequena pontada ao ler o final daquela mensagem idiota, daquele moleque que eu estava tentando evitar ao máximo. Meu Deus, onde é que está escrito que, quando ele diz que me ama, eu tenho de dizer o mesmo?! Por que tem de deixar as coisas tão complicadas desse jeito?
Coloquei o celular dentro do bolso da calça e continuei a vagar pela praça parecendo uma perdida, re-lembrando a noite anterior.
Me lembrava da chuva, do frio, da conversa e.. infelizmente da cara que ele fez quando eu fiquei quieta e o deixei falando. Eu sabia perfeitamente que não éramos mais crianças e tinhams de agir feito tal e para isso eu tinha de mudar meus conceitos e perceber que já havia mais de 10 anos que nos conheciamos e que derrepente as coisas mudaram entre nós. Só que as coisas estavam andando de um ritmo desordenado e rápido de mais para mim. Em menos de um mês ele havia dito que me amava e me chamava de amor da minha vida, esperando que eu dissesse o mesmo.
Será que ele não poderia entender que eu não era ele, ou muito menos dele? E que para mim as coisas funcionam de um outro jeito? Eu nem tenho certeza do que sinto. Muito menos sei se estou preparada para dizer aquelas palavras aterrorizadoras.
Meu celular tocou de novo me fazendo parar de raiva por não conseguir pensar direito. Queria jogar o celular na primaira lata de lixo que encontra-se para poder ficar um pouco em silênico e resolver o que queria.
'Desculpe. Me esquici que você é diferente. s2'
Minhas pernas travaram. Por mais que eu quisesse andar novamente, eu não conseguia.
Como eu odeio esse cara! Mas, desta vez será diferente. Há se vai!
Escrevi uma nova mensagem de texto e a enviei. Dessa vez ele me entenderia. Não podereia dizer que eu não tentei me expressar. Eu não aguentava mais alguém no meu pé esperando que de uma hora para outra dissesse 'eu te amo' como se fosse bom dia.

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finalmente outro texto tonto meu, mas dessa vez ele é quse baseado em fatos reais acontecidos nessa quarta feira.
É eu estou meio de mal-humor por causa disso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Borboletas no estomago

Foi estranho. Creio que do jeito que me conheço, não deixaria isso acontecer tão cedo. Mas alguém consegue segurar seus sentimentos? É, eu sei que não.

Muitos me diriam que eu mal o conheço. Mas, alguém relamente conhece as pessoas? Foi o que pensei. Além do mais como vou conhece-lo se não arriscar tudo?
Mas esse não é o meu caso. Conheço-o perfeitamente há 7 anos. E jamais pensei que fosse acontecer com ELE. Conhecimentos a parte, tudo indicava que nunca, jamais em hipotese alguma nós nos dariamos tão bem. Mas foi o que aconteceu. Sempre fomos de "oi", "como tem passado", "tô sabendo". Jurava para mim mesma em vão que nunca sairimos dessas perguntas bobas, até que aconteceu.
Uma semana de conversas pelo msn para descobrir as afinidades. Muitas descobertas até então, algumas coisas surpreendentes. Outras que nunca imaginei. Gostos que batem. E ai resolvemos sair de um mundo distante para encontrarmos. Realmente já haviamos feito isso algumas vezes, mas nunca com um objetivo. Um objetivo esquisito para mim até então.
Mas foi assim. Quando ele por fim tocou a minha mão, senti como se houvesse milhões de borboletas brigando em meu estomago. A pele se arrepiou como se o gelo tivesse me tocado, mas ele era quente. Minha respiração falhou umas cinco vezes enquanto ele falava. Se eu não estivesse segurando na mão dele, talvez flutuasse.
Sete anos e ainda nada conhecido. Tanta coisa para falar num espaço muito curto de tempo.
Nunca vou me esquecer do jeito que ele me olhava enquanto falava. Era algo sem explicação, não há palavras neste mundo que expliquem o que aconteceu. Nem as poesias mais lindas chegaram a conhecer aquele sentimento. Nem os filmes de retratos amorosos chegaram a ver um momento tão perfeito e único.
Também nunca cheguei a acreditar em pessoa ideal até aquele dia, aquela hora chegar e perceber depois de milhões de anos que ele, o par perfeito, pelo menos o meu, existe.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"Que irá acontecer?"


Quando se escolhe trabalhar na area da saúde, seja ela pública ou privada, há um certo tempo no estudo que é considerado "Enfermagem em Saúde Mental" ou Neuropsiquiatria. O segundo é um nome dado para assustar menos os estudantes, mas que tem o mesmo valor. Quase no fim da matéria a enorme apostila que é empregada traz uma sessão reservada aos Transtornos Alimentares, que abrange sua maior parte em Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa. - Isso mesmo, se usa o nervosa no final da palavra.
Logo no início, um texto engraçado e retratado em filme pra criança nos mostra o que será abordado. É um trecho do livro "Alice no país das maravilhas", logo quando ela come um doce para passar pela pequena portinha. Enquanto ela mastiga, sua cabeça começa a questionar o que acontecerá com ela, o que é exatamente o que uma pessoa que tem o trasntorno alimentar pensa enquanto mastiga aquilo que ela acha ser um mal terrível para seu corpo, seja ela mulher, homem, rico ou pobre.
Atualmente mesmo com esclarecimento e conhecimento sobre o assunto - convenhamos que novela das oito não conta como conhecimento de assuntos relacionados a aréa da saúde, seja ela mental ou não. - muitos recusam-se a aceitar que contém esse problema, recusando o tratamento, mesmo que os sintomas sejam mais do que evidentes.
A anorexia nervosa é a pior de todas. É triste ver e acompanhar a trajetoria de um paciente com a doença. Num segundo lá está você dizendo que ela precisa comer porque não está gorda e que não é nada saudavel ficar 5 dias sem ingerir alimento algum, no outro segundo seus ouvidos são obrigados a aguentar insutos sobre nossa própria aparencia e desaforos descabidos em meio a lagrimas. Por mais que você queira ajudar, a desnutrição é algo visivel, grave e significativo, chegando a lesionar órgãos vitais, alterando os sinais vitais e a resistencia a qualquer tipo de outra doença.
A bulimia nervosa por assim dizer é menos pior, pois a pessoa ainda come normalmente. Isso até ela sair da mesa quase que correndo após as refeições e tomar laxantes e provocar o vomito para ter certeza que de nada ficou dentro do estomago. Por mais que ela ache que não ingeriu nada, seu organismo ainda consegue absorver algo do que foi consumido. O problema dela são as anormalidades que aparecem com o tempo como: insulficiência cardiaca por não haver potássio suficiente no corpo, lesões no trato digestivo, irregularida mesntrual - caso for mulher - , pois o corpo vai tentar reter tudo que é tipo de líquido para poder funcionar e diebetes.
Por mais que se queira ajudar, não adianta só o trabalhador da aréa da saúde ajudar, precisa haver um conscesso entre a família e o paciente dizendoque estão pronto a ajudar a reverter a situação. É horrível ter de ver uma pessoa morrer gradativmente por culpa da beleza inalcansada por culpa de propagandas enganosas a respeito de como a sociedade dever ser.
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Gente eu sou auxiliar de Enfermagem e sei do que estou falando. Não queiram ser uma dessas pessoas com trasntorno ou mesmo ser telespectador.

domingo, 20 de setembro de 2009

Tio Marcos


Lá estava eu com a maior cara de bocó babando ao lado da minha melhor amiga enquanto assistiamos a um jogo de futibol do pai dela no campinho da cidade. Meu coração disparava ao ver ele, o pai dela, correr pelo campo sem demonstrar sequer um sinal de cansaço. Luna nunca soube que eu tinha uma quedinha pelo tio Marcos. Sentadas ali na grama na beirada do campo Luna se mostrava entediada com aquilo, mal sabia ela que adorava quando ela me ligava as presas, a beira de um pití porque o pai a levaria ao jogo dos seus amigos.
- Nem sei como te agradecer, Mah. - disse Luna olhando o céu em um voz de cansada.
- Agradecer pelo que? - perguntei encarando-a.
- Por você sempre vir comigo a essa droga de jogo. - repondeu ela apontando para o campo - Não sei como você aguenta ficar aqui.
- Luna, não seja tonta. A quanto tempo os conhecemos, quinze anos? Nesse meio tempo esperava que você soubesse que faria qualquer coisa por você.
- O.k! - riu ela fitando seus pés esticados na grama enquanto um som de apito era dado em meio de campo mostrando ofim do jogo.
Aquela era a parte que eu mais gostava do jogo. Quando o tio Marcos se aproximava ofegante e retirava a camisa na nossa frente. Ele se ajoelhou na frente de Luna bagunçando o cabelo molhado de suor. Eu não conseguia entender porque a tia Mel fugiu com outro cara, sendo que aqui a minha frente estava o homem perfeito.
- Quer tomar sorvete? - peruntou tio Marcos a Luna - Pegue dinheiro ai na minha bolsa e traga três picolés para nós.
Luna abriu a bolsa azul ao seu lado retirando a carteira do pai, pegou dinheiro e saiu até o carinho de sorvete próximo a arquibancada de madeira branca do outro lado co campo. Tio Marcos pegou a garrafa de água e jogou o seu conteúdo sobre a cabeça.
- E aí Mah, como vão os estudos? - perguntou ele olhando o chão.
- Bem. - respondi sem olhá-lo. - O senhor não cansa desses jogos?
- Porque me cansaria? - questionou sentando-se ao meu lado - É ele que tira os probelmas da minha cabeça.
- Que problemas o senhor poderia ter?
- Vamos combinar uma coisa? - pediu ele me olhando - Você pode me chamar de você, senhor me deixa com cara de velho. E se você fosse pai solteiro ia descobrir o que uma pessoinha da sua idade faz comigo.
Olhei para o céu que estava se fechando para a noite sentindo meus cabelos voarem com a brisa. Podia ver Luna do outro lado do campo reclamando com o moço do sorvete. Olhei para o lado e vi ti Marcos deitado de olhos fechados. Eu poderia cometer uma loucura nesse momento, mas ele era tão lindo, gostava de falar e Luna nunca me perdoaria se descobrisse o que eu faria. Me debrussei sobre ele sentindo seus lábios nos meus. Senti meu corpo ser impurrado com força para trás e ele se sentar.
- Você é louca menina? - bradou ele. - Eu sou o pai da sua melhor amiga!
- Grande coisa! - respondi me aproximando.
-Grande coisa o escanbau! - exclamou se levantando - Eu poderia ser seu pai!
- Graças a Deus que não é. - ri. - Me diga qual é o problema. Tem muitos caras por ai da sua idade que ficam com meninas como eu.
- Eu sou o pai da tua amiga!- bradou ele mais uma vez - Tenho vinte anos a mais que você!
- E? - questionei me levantando - Tio Marcos, eu sou bonitinha, e fiu expulsa das líderes de torcida por ser flexível de mais. - sussurrei no ouvido dele observando Luna ainda conversando com o sorveteiro.
Ele ficou me encarando por alguns segundo enquanto eu sorria. Ele baixou a cabeça e me segurou pelos ombros.
- Presta bem a atenção. - pediu ele - Eu sou mais velho, bem mais velho. Essa é a principal diferença entre nós.
- E se não fosse mais velho? - questionei olhando em seus olhos. - Você ficaria comigo. - conclui beijando outra vez.
Sentia meu coração quase saltando do peito. Sabia perfeitamente quando conseguia o que queria. Olhei-o mais uma vez sorrindo. Ele sorria também, pelo mais estranho que parecesse. Agora pudia ver Luna se aproximar de cabeça baixa com três picolés nas mãos. Sentei-me aonde estava esperando-a chegar. Os olhos dele não se desviavam de mim. Por fim ele se abaixou e pegou a bolsa azul colocando-a nos ombros.
- Te pego na sua casa as oito para conversarmos. - disse ele se afastando.
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Dessa vez acho que exagerei no tamanho do texto. nem sei se alguém vai conseguir lê-lo enteiro.

usei uma frase que achei muito engraça no filme 17 again.

Só pra avisar que fiquei em segundo lugar na edição 51 do blorkutando
e em primeiro no once upon a time da edição 9 com o texto :brasil-x-argentina.
e em segundo na edição 10 com este aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

It presses play


A vida deveria ser idêntica aos filmes de Holywood, quero dizer, não quanto ao assunto do filmes, mas igual no que se trata surgir uma musiquinha de fundo que faz tdodo mundo se emocionar. Se pudesse andaria ruas a fora carregando meu rádio nos ombros, como alguns faziam na década de 1980 e quando enxergasse um momento oportuno apertaria o play com a música escolhiada para a ocasión.
Posso até imaginar quais cantore e bandas entrariam nessa minha brincadeira. Miley Cyrus com sua meiga 'True Friends' para todos os fins de semana, Black eyes peas emabalando Bown Bown Pow na hora de fazer o almoço, Fresno gritando 'Polo' na hora da fossa, HSM com a doçura de 'I can have this dance' quando por fim me apaixonasse verdadeiramente, Taylor Swift em 'Fearlees' para poder ter inspiração, Jessé McCartney cantando 'Because you liven' na hora de dormir, The American Rejects da 'Movie Along' pra andar por aí e claro Paramore com a lindíssima Hayley em 'That's What You Get'. Uh ,grande play list da minha vida essa!
Essas sempre estiveram presente na minha vida, mas tem uma que toda a vez que é tocada ou quando eu lembro de alguma coisa, vem a minha mente. Thinking of you da glamurosa Katty Perry. Ela toca lá no fundo toda vez que a ouço e se pudesse relamente ser tocada quando algo relacionado acontecesse, me sentiria estrela do próximo filme Holywoodyano.
As músicas podem até não estarem presente 24 horas por dia na nossa vida como acontece na rede televisiva. No fundo, mas bem no fundo todos achariam estranho estarem andando e do nada um música começar a tocar vinda do nada. Já pensou se a minha música se embrama com a da garota punk que tá atravessando a rua? Não ia escultar nada. Imagine aquela música linda da que você ama de paixão estar tocando e um rock papauleria surge do nada?
É isso que me faz pensar em querer ficar com o meu rádio onde está.

sábado, 12 de setembro de 2009

Brasil x Argentina

O sol ainda nem tinha aparecido quando cheguei a frente do ginásio naquela gélida manhã de domingo. Toda encapotada em um moletom qualquer, com meu Ipod no ouvido entrei na quadra de vôlei onde encontrei mais onze garotas sentadas na arquibancada papeando e fazendo os exercícios diários. Joguei minha bolsa de treino na frente da arquibancada colocando a touca da blusa na cabeça. Seria mais um lindo dia de treinos chatos aos berros de um portunhol horroroso do técnico.
- Bruna! – berrou o técnico no meio da quadra quando dei as costas a ela – Mi santo ‘deu’ Bruna, ès lá quinta veze que tu llega atrasada essa semana.
- E? – perguntei sarcasticamente retirando os fones do ouvido.
- I? – questionei batendo a prancheta na perna – No me vengas com i. Tu sabes que solo pueden começar lo juego com todas las ninas.
Bufei colocando as mãos na cintura tentando não ouvir nada que ele falava. Pude ouvir a cima de mim alguns bochicos e risadinhas falsas quando o técnico voltou a falar. Me virei para ver quem era. Só podia ser ele, Marina dos Angeles, a poia argentina que se mudou para cá uns 3 anos atrás trazendo consigo uma cabeleira oxigenada lisa e uma magreza absurda. Ela acenou pra mim falsamente quando a encarei morrendo de vontade de torcer aquele pescoço matusquelo. Me sentei no primeiro degrau da arquibancada olhando para minha mãos enquanto o técnico cuspia tentando falar.
- Entendes Bruna? – perguntou ele ao final.
- Si. – respondi retirando a touca da cabeça.
Retirei o moletom ali mesmo, tendo de ficar com aquele uniforme ridículo de ‘jogadora feliz da vida de vôlei’. Me arrastei para o centro da quadra onde dois times já haviam se formado, ouvindo técnico gritar sobre minha lerdeza. Posicionei-me no meio como de costume quando me empurraram me fazendo cair em cima da garota ao meu lado. Olhei dos pés a cabeça aquela fuleirinha que estava balangando no meu lugar. Respirei fundo pensando em mil maneiras de tosquiar aqueles fios loiros oxigenados. Empurrei-a quando passei por ela, fazendo-a dar de cara com a rede enquanto gritava.
Fiz um sinal de ‘vem pra cima’ quando ela me encarou bufando nervosa. Ela correu até mim com as mãos em forma de garras prestes a grudar nos meus cabelos. Segurei suas mãos antes que ela encostasse em mim, sentindo o joelho dela na minha barriga e uma dor aparecendo. Soltei-a abraçando minha barriga de dor vendo ela se virar jogando cabelo para trás. Gritei de raiva pulando em cima dela. Nós duas nos estabacamos batendo uma na outra sem dó.
- Su brasileña loca! – berrou ela cuspindo na minha cara.
- Parem! – gritou o técnico
- Como eu tenho orgulho de ser brasileira. – bradei virando uma em seu rosto – Orgulho de surrar vocês argentinos!
Senti duas mãos envolverem minha cintura me puxando para longe de Marina e outras duas garotas levantando-a bem descabelada. Tentei inutilmente me soltar das mãos que me seguravam.
- Ustedes piensan lo que? – questionou o técnico entrando no nosso meio – Que esto és um ringue de lucha?
As mãos me soltaram e eu pude me arrumar suspirando de raiva. O técnico me dera às costas voltando-se para marina, sua ‘querida’ filha, que fazia cara de choro. Dei às costas para todas as garotas colocando minha bolsa no outro e pondo os fones de volta no ouvido.
- Vuelve ya aquí Bruna! – mandou o técnico.
- Deja essa doida ir. – disse Marina.
Parei. Olhei para o chão com a maior vontade voltar lá e bater novamente nela. Virei-me de vagar para ela. Mostrei o dedo do meio para ela fazendo careta. Continuei andando para a saída.
- Morfética oxigenada. – sussurrei passando pelo portão de entrada.
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Sei que esse não foi um bom de exemplo de como se pode ter orgulho de ser brasileira, mas foi a única coisa 'descente' que pensei.

sábado, 29 de agosto de 2009

Rosa da primavera

A noite finalmente chegou e meu desespero aumentava gradativamente conforme os ponteiros do relógio pareciam andar mais rápido em um complô contra mim. Definitivamente eu não estava preparada para escutar minha mãe gritar feito louca desvairada que "ele" havia chegado e que eu, pobre coitada, estava horrorosa com o cabelo desgrenhado, sem maquiagem e apavorada com o simples fato de que meu vestido acetinado godê com milhares de tules dando volume (sem contar que não tinha alça) não estava fechando justo hoje! Onde eu tinha uma grande chance de receber o meu primeiro beijo, acredite se quiser, aos 17 anos, de um garoto ultra-mega-power fofo e lindo chamado Lucas, em um baile de primavera do colégio.
Passei a semana toda em transe, parecendo uma bocó. Quero dizer, a ficha ainda não havia caído por completo e parecia que nunca ia cair. Fiquei a tarde toda relembrando daquele momento estranho, onde ele parou na frente da minha mesa de estudo na biblioteca e ficou remexendo nos meus livros para me chamar a atenção e assim que olhei, o cara mais lindo de toda a escola, que havia terminado um namora com a líder de torcidas no começo da semana me encarou com aqueles olhos azuis de morrer me convidando para ir ao baile do final de semana. O que mais me deixou assustada não foi o fato de ele chamar a garota mais invisível do colégio para o acompanhar no baile, mas sim dizer o nome dela, ou seja, ele sabia o meu nome!
Nunca pensei que isso fosse acontecer. Quer dizer, logo eu? Eu que nunca olhei diretamente para ele, que sempre desviei o caminho quando via ele vindo pelo mesmo caminho, que prendia a respiração quando ele estava na frente do meu armário me dando a chance de falar com ele uma ou duas vezes, para pedir licença, que pelo amor de Deus, não chega aos pés de qualquer uma nesse colégio no quesito "beleza ou interessante".
Desci as escadas receosa quando minha mãe me chamou, prendendo o ar para o vestido não abrir, tendo quase um ataque quando o vi no patamar da escada de costas segurando uma rosa vermelha na mão como se fosse deixá-la cair. Ao chegar ao patamar ele se virou fazendo meu sorriso sumir do rosto por completo.
- O que você está fazendo aqui Fê? - questionei nervosa
Eu esperando meu príncipe encantado e quem me aparece é meu melhor amigo.
- Tô te salvando de uma humilhação pública. - murmurou ele de olho na minha mãe que se afastava
- Do que você está falando? - perguntei agarrando seu braço
- O Lucas - começou ele bufando - , não irá com você ao baile esta noite, ele...
- O quê?! - exclamei estupefata
-Ele irá com Samanta Brookwood como todo mundo esperava. - respondeu ele - Eles voltaram há mais ou menos meia hora.
Senti meu mundo desabar enquanto me sentava na escada incrédula pelo o que acontecera. O que eu queria? Uma garota como eu nunca conseguiria sair com uma cara feito Lucas Stepheng, ou com alguém de sua laia. Agora eu poderia respirar sem medo do vestido se abrir, poderia desarrumar meu cabelo que ninguém o veria.
- É uma verdadeira pena você desarrumar seu cabelo. - disse Fê ajoelhando a minha frente - Porque eu gostaria muito de te levar ao baile. - completou me entregando a rosa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Herói pra todas as horas.

(qualquer semelhança é mera coincidência)

Ele grita, super-protege e ama. Isso deve ser totalmente tipíco de um pai que gosta de seus "bebezinhos" e nunca percebem que suas crianças crescem e fica até parendo comercial do Boticario. Dessa vez não vou ficar falando de como o meu pai deve ser diferente, mas sim dizer tudo e mais um pouco sobre ele, mostrando que mesmo que odeia quando ele faz alguma coisas, sempre vou amá-lo. O que faz parte de alguém normal.
Quando eu era pequena ele tentava me proteger tanto que acabava fazendo tudo errado. Estou falando sério, se estou viva é por um milagre. Meu pai já queimou minha sombrancelha toda, me deixou cair e quebrei o nariz com apenas um ano e eu coitada vivia constipada. A culpa deve ser a inesperiência, pois quando se é a primeira filha tudo de errado que acontece é para ajudá-lo mais ainda a ver o que acontece.
Se sofri muito, não lembro. Só seu que depois que minha irmã nasceu fui deixada de lado. Coitada de mim que só tinha 2 anos na época. Mas se você quer saber, por alguma coisa que não sei dizer, sempre fui mais protegida do que a minha maninha.
Até hoje penso em querer ser igual a ele, principalmente na cozinha. Nunca vi um homem cozinhar tão bem! Os bolos e as tortas que esse cara faz são mil vezes melhores que da minha mãe. E a memória dele! Ele sabe de cada coisinha que aconteceu com cada um nessa minha casa.
Eu nunca que iria querer um pai melhor pra mim. Também tem o detalhe que ele torce para aquele time que é campeão do mundo 3 vezes, tem 6 brasileiros e outros 3 libertadores e que por acaso é o meu time do coração. Nunca vi um cara tão trabalhador na vida. Ele já se demitiu de alguns empregos só para melhorar as coisas pra nós. Ama novela mais do que qualquer mulher que conheço. E melhor parar de falar dele se não vão achar que é puxa-saquismo só porque domingo é um outro dia especial para ele.
Sobre meu pai tenho só uma coisa a dizer:
Graças a Deus que não somos nós que escolhemos o pai que vamos ter
Mesmo querendo enforcá-lo de vez enquando eu gosto pra caramba dele e racho de rir quando ele me chama de "pituquinha" na frente dos meus amigos e faz cafune bagunçando meu cabelo.
Afinal, pai é pai.