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domingo, 13 de junho de 2010

O reino perdido de Havilá

Prólogo - Parte 2
O falso herdeiro.
- Não, isso nunca aconteceu.
- Pelo menos algo de bom nessa história! Séria terrível saber na hora do casamento que você pertence a outro. Você sabe bem o que acontece.
- Não precisa repetir isso, sei que o primeiro beijo de amor eterniza o casamento.
- Só quero que saiba de uma coisa, se nascer apenas uma criança eu a matarei.
Safira olhou-o e deixou mais lagrimas caírem. Nunca passara pela sua cabeça ter que matar seu filho. Mesmo sendo de outra pessoa ela o queria. Precisaria que Emanuel fizesse sua parte para que duas crianças nascessem no mesmo dia.
- De quanto tempo você está? – perguntou Emanuel com a mão na barriga de Safira – Quanto tempo tem o meu filho?
- Uma semana. Emanuel me perdoe, por favor!
- Perdoar o que? Você será minha é o que importa. Deixe que eu providencie a vinda de outro herdeiro do trono.
- Não sei como pude cometer esse horrível erro.
Emanuel colocou suas mãos em volta do rosto de Safira e a beijou eternizando assim o seu casamento.
Ao nascer do sol as cortinas do quarto de Safira foram abertas com rispidez pela irmã de seu noivo, Zilá. Ela abriu os olhos e percebeu um vulto a frente de sua cama olhando-a. Zilá sentou-se na beira da cama e olhou para a parede.
- Sei o que aconteceu entre você e aquele velho. – disse Zilá sem olhá-la - Meu irmão é um tolo por perdoá-la.
- Porque me odeias tanto? – perguntou Safira sentando-se na cama – O que foi que eu te fiz?
- Roubou o meu trono! – bradou ela levantando-se – Traiu o meu irmão! Como tem coragem de me perguntar o que me fez?
- Sinto muito por você Zilá. Nunca quis roubar o seu trono, mas as coisas foram acontecendo e eu acabei me apaixonando pelo seu irmão.
- E aconteceu também que você não teve nenhum pingo de decência e acabou traindo-o com aquele velho!
- Sei que fiz algo errado, não precisa jogar na minha cara! – bradou Safira levantando-se da cama – Seu irmão me perdoou é o que importa para mim.
- Tenho pena dele. Ter que criar uma criança que nem é dele. Quando ela crescer e as pedras as rejeitarem eu serei a primeira que darei risada. O único herdeiro rejeitado pelas pedras, um bastardo que nunca chegará ao trono!
Safira cansara de ser acusada por Zilá. A raiva que guardara em seu peito explodiu em segundos ao ouvir o deboche sobre o seu filho. Sem pensar duas vezes ela levantou a mão e bateu no rosto de Zilá.
- Saia desse quarto e nunca mais se dirija a mim nesse tom. A partir de hoje eu serei a nova rainha e exijo respeito!
- Rainha! Você nunca será rainha. – riu Zilá
As portas do quarto se abriram e o príncipe Emanuel entrou por ela procurando a razão dos gritos que ouvira.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou Emanuel abraçando Safira
- Essa louca com quem irá se casar! – respondeu Zilá chorando – Teve a audácia de me bater. Bater em mim!
- Zilá você não é nenhuma santa, se Safira te bateu com certeza ela teve uma motivo muito forte para fazer isso.
- Você está do lado dela? – perguntou Zilá indiguinada – Você pode fazer uma coisa dessas Emanuel? Eu sou sua irmã.
- Saia daqui Zilá! – mandou Emanuel – Não quero vê-lá mais aqui.
Zilá deu as costas para os dois e deixou o quarto. Emanuel passou as mãos nos cabelo de Safira e sentou-a na cama. Ela chorava desesperada.
- O que houve? – perguntou Emanuel – Diga o que ela te fez.
- Ela só me disse a verdade. Que nosso filho é um bastardo e que nunca poderá ser rei. Ela não disse nada de mais.
- Você sabe que ele não é um bastardo.
- A quem quer enganar? Nós dois sabemos que ele é. Não posso suportar essa idéia, ter um filho que não é seu.
- Não se preocupe com isso. Troque-se que daqui a pouco a cerimônia começará.
Emanuel afastou-se dela e fechou a porta ao sair. Safira limpou as lagrimas em seu rosto e abriu se guarda-roupa procurando se vestido de noiva. As cortinas se desenrolaram e do meio dela saiu um vulto. Safira virou-se para elas e levou um susto deixando seu vestido cair no chão.
- Ingrata! – bradou o vulto dando-lhe um tapa em seu rosto – Como pode fazer juras de amor com ele?
- Entenda-me. Tudo o que passamos eu quero esquecer. Num momento de fraqueza me deixei levar.
- Não me parecia um momento de fraqueza. Você parecia saber bem o que fazia.
- Mas eu percebi o erro que cometi e não quero mais que se repita.
- Esse filho te fará lembrar tudo o que passamos juntos! Você nunca se esquecerá do seu passado Safira. O seu mal te perseguira por toda a vida.
- Me deixe! – berrou Safira – Saia de minha vida, desapareça!
- Não será do jeito que você quer. Eu voltarei e você pagará por tudo o que me fez.
Safira sentou no chão desolada após ver a partida do vulto saindo pela janela. Suas lagrimas caíram ainda mais e molharam o seu vestido.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Reino Perdido de Havilá

Prólogo - Parte 1

O Falso Herdeiro.

O vento passava entre as copas das árvores trazendo consigo uma nova estação. Ele rodeou uma jovem que estava debruçada na sacada do palácio como se fosse um mal pressagio. Lagrimas saiam de seus olhos fechados molhando o seu rosto. Ao ouvir a porta do quarto se abrir ela se virou para o vulto que entrara.
- Já disse para não me procurar quando estiver por aqui. – disse o vulto se aproximando
- Precisava de você. – soluçou ela – Preciso contar a você..., que estou grávida.
- Grávida? – espantou-se o vulto encarando-a – Isso não deveria ter acontecido!
A jovem chorou ainda mais ao perceber que o vulto a rejeitaria depois desse pequeno incidente. Ele abraçou-a fortemente e a virou para a sacada.
- Não se preocupe com isso, afinal amanha você estará se casando e poderá fazer o príncipe acreditar que o filho é dele. – consolou o vulto – Mas, nunca se esqueça que te amo e mesmo estando se casando com aquele palhaço continuarei a estar com você.
- É arriscado que estamos fazendo, Zilá já desconfia de nós.
- Não se preocupe com ela. Logo ela estará ocupada em se vingar do príncipe.
- Ele realmente precisa morrer? – perguntou a jovem fitando-o – Precisamos ir tão longe?
- Para a nossa felicidade nada é o bastante. Aliás, para que ele morra você terá que morrer.
- Eu? Pensei que você tinha descartado essa idéia.
- Planejei tudo com muito cuidado. Depois que você der a luz Zilá te matará e assim que Emanuel a vir morta eu entrarei no quarto e te ressuscitarei e você poderá ser livre outra vez.
- Mas e você? Não quero continuar com isso se não puder te ter.
- Deixarei o tempo responder isso. Durma bem, nos veremos amanhã no seu casamento.
O vulto a abraçou com uma força extraordinária, como se nunca mais pudesse a ter em seus braços e a deixou sozinha no quarto. A jovem voltou a olhar as árvores e ouviu a porta abrir-se novamente, ela se virou esperando que fosse o vulto para que pudesse chorar mais uma vez em seu ombro.
- É você meu amor? – perguntou ela
- Depende de quem você estiver esperando. – respondeu o príncipe Emanuel fechando a porta – Acho que não sou eu quem você esperava ver.
O príncipe tinha uma bela aparência, devia ser o príncipe mais cobiçado de toda história do país. Cabelos escuros até o ombro, alto, robusto, olhos cor do céu, ombros largos, e uma pele clara.
- Mas é claro que eu queria te ver! – mentiu ela – Afinal precisamos conversar sobre o rumo que nossa vida tomará depois de amanhã.
- Você sabe bem o que acontecerá amanhã, não se faça de desentendida.
- Aonde você quer chegar? – perguntou ela aproximando-se do príncipe
O príncipe desviou o seu olhar para bem longe dela e manteve a postura de educação que recebeu de sua mãe quando pequeno.
- Você sabe bem aonde eu quero chegar. Quero chegar ao fundo de toda essa mentira.
- O que você quer dizer com isso?
- Safira, minha bela Safira – começou Emanuel tirando o pouco cabelo que havia no rosto de Safira acariciando-a – Como pode fazer isso? Eu sei de tudo – contou ele apertando o pescoço dela –, sei de tudo que precisava saber. Não era preciso mentir para mim.
- Do que você está falando? – gaguejou ela tentando afrouxar a mão dele
- Do seu romance com o velho que acabou de sair daqui, dos filhos que espera dele. Afinal a família real é constituída por gêmeos e nada mais, já pensou se nascer apenas uma criança?
- Pensei que me amasse! – bradou ela retirando a mão dele de seu pescoço
- E amo, você sabe disso. Mas essa traição me deixou desorientado.
- Deixe tudo como está, finja que nada aconteceu. – pediu Safira abraçando-o pelas costas – Ninguém precisa saber o que aconteceu.
- Você o beijou? – perguntou Emanuel retirando as mãos de Safira de seu ombro
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